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Trump insta Congresso dos EUA a acabar com 'shutdown'
Donald Trump instou nesta segunda-feira (2) o Congresso a aprovar a legislação necessária para desbloquear a paralisação orçamentária, que entrou em seu terceiro dia sem um desfecho claro.
Este é o segundo fechamento governamental em menos de seis meses nos Estados Unidos, um país muito polarizado politicamente, embora, nesta ocasião, os efeitos em Washington, e no resto do país, sejam menos evidentes.
"Espero que todos os republicanos e democratas se juntem a mim para apoiar este projeto de lei e o enviem ao meu gabinete SEM DEMORA. Neste momento, NÃO PODE HAVER MUDANÇAS", disse o republicano Trump em sua rede Truth Social.
O bloqueio é causado pela recusa de vários legisladores democratas a manter o financiamento dos serviços de imigração, depois que agentes federais do ICE mataram a tiros dois manifestantes contrários às operações para deter imigrantes em situação irregular na cidade de Minneapolis (norte).
Essas mortes desataram a fúria dos democratas, que conseguiram adiar na semana passada a votação de várias leis orçamentárias.
O Senado acabou aprovando na sexta-feira cinco projetos de finanças públicas que permitiriam manter o funcionamento da maioria do governo até setembro.
No caso do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), o projeto de orçamento concede um prazo de duas semanas, o que obrigaria os democratas e republicanos na Câmara dos Representantes, que têm que dar a aprovação definitiva, a negociar sob pressão.
O presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, quis minimizar a gravidade da situação e assegurou no fim de semana que a votação, prevista para esta terça-feira, seria uma "formalidade".
Mas Johnson conta com a oposição da ala conservadora de seu partido.
Um novo democrata toma posse no Congresso nesta segunda-feira, após uma eleição suplementar no Texas, o que significa que o presidente da Câmara não poderá perder mais do que um voto de seu próprio partido.
"Os democratas entregam-se a jogos políticos", afirmou no sábado o congressista Chip Roy, do Texas, na Fox News, acusando a oposição de manter o DHS "como refém".
- Reformas -
Os democratas exigem mudanças no DHS após a morte, no fim de janeiro, de Alex Pretti, um enfermeiro americano de 37 anos, e de Renee Good, também de 37 anos, ambos alvejados por disparos de agentes federais da polícia de imigração em Minneapolis
Desde então, os democratas se recusam a votar qualquer orçamento para o DHS, se não forem implementadas reformas significativas nas operações de seus agentes.
Eles exigem, em particular, o uso sistemático de câmeras corporais, a proibição do uso de balaclavas e ordens judiciais para autorizar as detenções.
Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara, afirmou no domingo à ABC News que o governo do presidente Donald Trump não podia "se contentar com palavras" e devia aplicar tais medidas imediatamente.
Os republicanos concordam com o uso generalizado das câmeras corporais, já bastante difundido, mas mostram-se muito reticentes em relação às operações com a face descoberta, pois afirmam que os ativistas divulgam constantemente todos os dados pessoais que conseguem obter sobre os agentes.
Por sua vez, os mandados judiciais são necessários para revistar um domicílio, mas não para deter alguém na rua.
- 'Precisamos de boa-fé' -
Diante das ameaças de alguns legisladores de sua ala, Mike Johnson poderia necessitar de votos da oposição.
"Precisamos de boa-fé de ambos os lados", afirmou ele no domingo.
Embora o 'shutdown' esteja em seu terceiro dia, os Estados Unidos provavelmente não terão uma repetição do bloqueio de outubro e novembro de 2025, quando republicanos e democratas batalharam durante 43 dias por disputas sobre os subsídios aos seguros de saúde.
Centenas de milhares de funcionários foram então colocados em paralisação técnica, enquanto outros com funções consideradas essenciais tiveram que seguir trabalhando. Mas todos tiveram que esperar até o fim do 'shutdown' para receber seus salários.
A última paralisação terminou quando alguns senadores democratas decidiram votar a favor de um texto orçamentário elaborado pelos republicanos, em troca de promessas de concessões sobre estes subsídios.
C.Smith--CPN