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Trump lida com consequências de ataque armado em Minneapolis, dois agentes de imigração são suspensos
O 'czar' da fronteira do presidente americano Donald Trump, Tom Homan, apresenta nesta quinta-feira (29), em Minneapolis, seu novo plano contra a imigração, após a suspensão dos agentes envolvidos no ataque armado fatal contra um enfermeiro.
Os dois agentes de imigração foram suspensos desde sábado, quando Alex Pretti, de 37 anos, levou vários tiros depois de ser obrigado a se jogar no chão por agentes da Patrulha de Fronteira (CBP), durante uma luta corporal registrada em vídeo.
Minneapolis, principal cidade do estado de Minnesota, no norte do país, segue abalada pela morte de Pretti no sábado e pela de Renee Good, mãe americana da mesma idade, que morreu em 7 de janeiro, baleada por agentes da polícia de imigração (ICE).
As ações em Minnesota levaram Trump a reorganizar a hierarquia dos agentes de imigração mobilizados no estado e a substituir o polêmico Greg Bovino, conhecido por se deleitar com operações agressivas e televisionadas de imigração, por Homan, mais focado em políticas públicas.
Homan deve conceder uma coletiva de imprensa às 7h (10h no horário de Brasília) nesta quinta-feira, em Minneapolis, informou a Casa Branca.
Trump tentou conter a indignação expressa por diversos setores do espectro político e disse, na terça-feira, que queria "reduzir um pouco a tensão" em Minneapolis.
Nesta quarta-feira, recuou do tom conciliador ao acusar o prefeito da cidade, Jacob Frey, de estar "BRINCANDO COM FOGO" ao se recusar a mobilizar a polícia local para fazer cumprir a ofensiva federal contra a imigração.
Frey respondeu na quarta-feira a Trump: "O trabalho da nossa polícia é garantir a segurança dos cidadãos, não fazer cumprir as leis federais de imigração", afirmou na rede social X.
"Quero que evitem homicídios, não que cacem um pai trabalhador", acrescentou, em referência ao cidadão equatoriano pai de Liam Conejo Ramos, de cinco anos, ambos mantidos em um centro no Texas após serem detidos por agentes federais em Minneapolis, em 20 de janeiro.
A batalha política pode chegar ao Congresso, onde os democratas ameaçam bloquear verbas orçamentárias caso não haja reformas para conter operações de estilo militar das agências de imigração.
Um juiz federal bloqueou temporariamente, nesta quarta-feira, a medida do governo de deter refugiados em Minnesota que aguardam a regularização da residência permanente e ordenou a libertação dos que estão presos.
- Fúria -
Embora a Casa Branca insista que tem como alvo criminosos perigosos, o uso de homens encapuzados e fortemente armados para retirar pessoas das ruas, de suas casas e locais de trabalho provocou comoção generalizada.
Tudo isso se transformou em fúria depois que agentes de imigração mataram à queima-roupa dois manifestantes americanos em Minneapolis, em episódios distintos: Alex Pretti e Renee Good.
Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, inicialmente justificou a morte de Pretti, classificando-o como um "assassino em potencial", apesar de as imagens em vídeo mostrarem claramente que o enfermeiro não representava qualquer ameaça quando foi baleado pelas costas enquanto permanecia imobilizado no chão.
Na noite de terça-feira, Miller afirmou que os agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras que mataram Pretti "podem não ter seguido esse protocolo".
Os confrontos entre manifestantes e agentes federais de imigração mobilizados em cidades governadas por democratas tornaram-se cada vez mais frequentes.
Em Minneapolis, a ativista comunitária Jennifer Arnold, de 39 anos, afirmou que pouco mudou desde a promessa de Trump de aliviar as tensões na cidade.
"A administração Trump diz que vai mudar de tática... mas não estamos vendo nada diferente no terreno; as pessoas continuam sendo arrancadas das ruas", disse Arnold à AFP.
- Ataque a congressista imigrante -
A ofensiva de Trump em Minnesota está ligada a uma investigação sobre supostos casos de corrupção envolvendo imigrantes somalis no estado, amplificados por ele e por aliados da direita como exemplo do que classificam como combate a imigrantes criminosos.
O presidente vem atacando de forma recorrente a congressista Ilhan Omar, nascida na Somália, com insultos e zombarias, dizendo que ela deveria ser enviada de volta ao país africano.
No mais recente sinal de deterioração do clima político, um homem jogou um líquido sobre Omar enquanto ela discursava na noite de terça-feira, antes de ser contido pela equipe de segurança.
O suspeito, Anthony Kazmierczak, de 55 anos, foi preso.
Em conversa com jornalistas em Minneapolis, Omar afirmou que os ataques de Trump contra ela contribuíram para alimentar o episódio do qual saiu ilesa.
P.Gonzales--CPN