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Bad Bunny faz história ao levar Grammy de Álbum do Ano
O artista porto-riquenho de reggaeton Bad Bunny brilhou neste domingo (1º) em Los Angeles ao conquistar um Grammy histórico de Álbum do Ano por "DeBÍ Tirar Más Fotos", o primeiro álbum inteiramente em espanhol a ganhar o prêmio.
Os irmãos baianos Caetano Veloso e Maria Bethânia também fizeram história e levaram o prêmio de Melhor Álbum de Música Global por "Caetano e Bethânia Ao Vivo".
Bad Bunny se emocionou ao triunfar em uma categoria que incluía gigantes como o favorito da noite, Kendrick Lamar, e a megaestrela do pop Lady Gaga.
Benito Antonio Martínez Ocasio fez seu discurso de agradecimento em espanhol, elogiando sua ilha natal.
"Não há nada que não possamos alcançar (...) Obrigado, mãe, por me dar à luz em Porto Rico", expressou o músico de 31 anos, que, mesmo com sua ascensão meteórica à fama, manteve sua produção em espanhol.
O astro dedicou o prêmio "a todos os artistas que vieram antes (...) e que mereceram estar neste palco recebendo este prêmio".
O responsável por globalizar o reggaeton, um gênero inicialmente desprezado por ser considerado muito "sexual", também adotou um tom mais político e dedicou seu Grammy a "todas as pessoas que tiveram que deixar suas casas, suas terras, seus países, para seguir seus sonhos".
Anteriormente, o cantor ganhou o prêmio de Melhor Performance Musical Global por "EoO", um single de seu aclamado "DeBÍ Tirar Más Fotos", uma ode a Porto Rico que mescla ritmos caribenhos tradicionais e contemporâneos, e que também ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana.
Em sua mais contundente denúncia da campanha anti-imigração do presidente Donald Trump nos Estados Unidos, Bad Bunny usou seu primeiro discurso de agradecimento para celebrar a comunidade latina.
"Fora ICE!", declarou assim que subiu ao palco, referindo-se à sigla em inglês para Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. A plateia explodiu em aplausos.
"Não somos selvagens, não somos animais, não somos extraterrestres. Somos seres humanos e somos americanos", disse o artista, que se apresentará na próxima semana no intervalo do Super Bowl, um dos eventos de música mais prestigiados, com uma audiência de milhões de pessoas.
- Outros cinco para Kendrick Lamar -
A outra estrela da noite foi o rapper americano Kendrick Lamar, que levou cinco de suas nove indicações com seu álbum "GNX" e seu single "Luther", com participação de SZA, eleito Gravação do Ano.
"Não sou bom em falar sobre mim, mas me expresso através da música. É uma honra estar aqui", declarou Lamar ao receber um dos prêmios da noite.
O músico, de 38 anos, que dominou a cerimônia do ano passado com seu sucesso viral "Not Like Us", chegou ao teatro Crypto.com com 22 Grammys em sua coleção.
O astro vencedor do Prêmio Pulitzer também ganhou nas categorias de Melhor Álbum de Rap, Melhor Performance de Rap, Melhor Música de Rap e Melhor Performance de Rap Melódico.
- Protesto -
"Wildflower", a balada composta por Billie Eilish e seu irmão Finneas O'Connell, surpreendeu a todos ao ganhar o prêmio de Música do Ano, superando "Golden", do filme de animação da Netflix "Guerreiras do K-Pop", que levou o prêmio de Melhor Canção Escrita para Mídia Visual.
Não indiferente às tensões em torno das operações federais de imigração, Eilish, de 24 anos, aceitou seu décimo Grammy fazendo um apelo aos protestos.
"Sinto-me tão esperançosa nesta sala e sinto que precisamos continuar lutando, nos manifestando e protestando, e nossas vozes realmente importam", disse a compositora, usando um broche "Fora ICE", exibido com destaque no tapete vermelho antes da cerimônia.
Já Lady Gaga ganhou os prêmios de Melhor Gravação Dance/Pop por "Abracadabra" e Melhor Álbum Pop Vocal por "Mayhem", que marcou o retorno triunfante da artista à cena musical.
Sem surpresas, Olivia Dean ganhou o prêmio de Melhor Artista Revelação, uma das categorias mais importantes da noite, que no passado ajudou a lançar as carreiras de estrelas como Olivia Rodrigo e Billie Eilish, entre outras.
- Performances eletrizantes -
A festa mais importante da música ofereceu uma programação de primeira, abrindo sua gala televisionada com Rosé e Bruno Mars em uma versão rock de seu sucesso viral "APT".
Sabrina Carpenter subiu ao palco para cantar seu sucesso "Mainchild", enquanto Justin Bieber apresentou uma versão intimista de "Yukon" vestindo apenas shorts e meias.
Post Malone se juntou a Chad Smith, Duff McKagan, Slash e Andrew Watt para prestar uma homenagem emocionante ao Príncipe das Trevas, Ozzy Osbourne, que morreu no ano passado.
Lauryn Hill liderou o tradicional segmento In Memoriam com um grupo que incluía John Legend e seu colega de banda do Fugees, Wyclef Jean, entre outros artistas.
S.F.Lacroix--CPN