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Da Alemanha à Dinamarca, recordes históricos de temperaturas na Europa
Grande parte da Europa enfrentou neste sábado (27) mais um dia sufocante, com recordes de temperatura na Alemanha e na Dinamarca, em meio a uma onda de calor que já deixou dezenas de mortos e coloca os sistemas de saúde à prova.
O calor extremo que durante a semana atingiu a França, o sul da Inglaterra, a Espanha e a Itália está se deslocando para o nordeste do continente, mas o alerta máximo continua em vigor na Alemanha, Áustria, Hungria e Suíça.
Pelo menos 193 milhões de habitantes na Europa, entre eles 75 milhões na Alemanha, enfrentaram temperaturas superiores a 35°C em algum momento deste sábado, segundo cálculos da AFP, número superior às previsões anteriores.
Dezenas de pessoas morreram nos últimos dez dias, tanto por doenças relacionadas ao calor quanto por acidentes de afogamento, e os serviços de emergência de vários países afirmam que suas instalações estão sobrecarregadas.
Na França, "observamos um número de mortes superior ao normal", declarou neste sábado a ministra da Saúde, Stéphanie Rist.
O país registrou 74 mortes por afogamento desde 18 de junho, tanto em lagoas, rios e córregos quanto em piscinas particulares, anunciou, por sua vez, o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
O calor levou ao cancelamento de festas de rua e festivais de música na França, na Alemanha e nos Países Baixos, embora a Marcha do Orgulho tenha sido realizada em Budapeste apesar dos alertas.
Até mesmo a Semana de Moda Masculina de Paris, que termina no domingo, foi afetada por uma polêmica em torno de uma gigantesca onda artificial apresentada no desfile da Louis Vuitton.
Diversos internautas denunciaram o desperdício de água. A LVMH, proprietária da Louis Vuitton, garantiu, porém, que a água será "reintroduzida na rede de saneamento".
- "Noites tropicais" -
Especialistas afirmam que uma "cúpula de calor", formada por uma massa de ar vinda do norte da África, está provocando essas condições extremas e que, embora o fenômeno em si não seja inédito, as temperaturas registradas são.
A Dinamarca registrou 37°C neste sábado, algo sem precedentes desde o início das medições meteorológicas, em 1874.
A República Tcheca também registrou neste sábado seu recorde absoluto de temperatura: 40,6°C. Já a Alemanha bateu uma nova marca, com 41,5°C.
A Suíça, por sua vez, superou pelo terceiro dia consecutivo o recorde do dia mais quente já registrado em junho, com 39°C na cidade de Basileia.
Suíça e França desligaram reatores nucleares, já que a água utilizada para resfriá-los corria o risco de aquecer excessivamente os rios próximos.
"O que é especialmente difícil para as pessoas é que à noite não refresca. Muitas regiões da Alemanha voltarão a ter noites tropicais", informou o serviço meteorológico alemão (DWD).
Em toda a Europa, qualquer recurso tem servido para combater o calor: refugiar-se em uma igreja, dormir no porão, procurar abrigo em uma loja de produtos congelados ou sentar-se ao lado de uma fonte.
Denis Ovdyienko, entregador, contou à AFP na sexta-feira, em Bratislava, que tinha dificuldade para se manter fresco e precisava recorrer às fontes públicas.
"Sinto que tudo está quente. A rua está quente, meu telefone está quente, minha cabeça está quente, tudo está quente", afirmou o jovem de 26 anos.
- "Superlotação" nos hospitais -
Na região de Paris, as chamadas aos serviços de emergência médica aumentaram 80% na última semana.
O responsável pela área de saúde da prefeitura de Paris, Antoine Alibert, afirmou neste sábado que os hospitais da capital francesa enfrentam uma "superlotação excepcional".
Isso é visível "nas macas que se acumulam nos corredores", disse, acrescentando: "Estamos mergulhados em plena crise sanitária".
Segundo a APHP (que reúne os hospitais da região de Paris), o sistema de emergência operou neste sábado "em um nível excepcionalmente elevado, pelo décimo dia consecutivo".
Pessoas com mais de 75 anos representaram a maior parte dos atendimentos de urgência, mas também foi elevado o número de consultas pediátricas.
As ondas de calor recorrentes são um indicador inequívoco das mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis pelos seres humanos, e tendem a se tornar mais frequentes, mais longas e mais intensas.
Alemanha e França esperam uma queda nas temperaturas a partir de domingo, mas os países do Leste Europeu se preparam para dias difíceis.
A Romênia prevê calor extremo entre segunda e quarta-feira. Já a vizinha Moldávia proibirá a circulação de veículos com mais de 12 toneladas entre 10h e 20h nas rodovias nacionais, entre 28 de junho e 1º de julho.
Y.Ibrahim--CPN