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Ações de tecnológicas despencam e arrastam principais bolsas mundiais
A queda, nesta terça-feira (23), das ações das grandes empresas de tecnologia arrastou os mercados globais, que operam com perdas pela preocupação com a valorização dos títulos deste setor e pelos gastos enormes que implicam o desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
A tendência, iniciada na segunda-feira no mercado americano, se confirmou na Ásia, onde as principais praças fecharam com quedas pronunciadas, uma dinâmica que se seguiu na Europa e depois na abertura de Wall Street, nesta terça.
Durante a sessão de segunda-feira em Nova York, a SpaceX, empresa de foguetes e inteligência artificial de Elon Musk, despencou mais de 16% e a Amazon caiu quase 5%.
A queda da SpaceX minou a confiança dos investidores na alta valorização das empresas tecnológicas e tirou da empresa de Musk bilhões de dólares de valor de mercado desde sua oferta pública inicial (IPO), que bateu recordes no começo do mês.
Apesar de as ações da SpaceX operarem no azul nesta terça-feira, outras tecnológicas americanas acusaram o golpe e AMD, Nvidia e Broadcom registravam perdas.
O fato de a SpaceX recorrer ao endividamento para financiar os gastos excessivos com a inteligência artificial e infraestrutura reacende preocupações já existentes de que as grandes empresas de tecnologia possam estar gastando demais em IA e "financiando este gasto cada vez mais através da dívida", afirmou Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do banco Swissquote.
Nas primeiras operações, Wall Street abriu com uma queda pronunciada, mas por volta das 15h30 GMT (12h30 de Brasília), foi se recuperando e o Dow Jones recuava 0,1%; o S&P 500, 1,3%; e o tecnológico Nasdaq, 2%.
As bolsas europeias reduziram suas perdas com o passar do dia, mas fecharam em queda. Paris recuou 0,71%; Frankfurt, 0,98%; e Londres teve leve baixa de 0,09%. Milão recuou 1,46% e Madri, 0,34%.
Na Ásia, o índice sul-coreano Kospi foi o mais impactado, fechando em queda de 10%, arrastado pelas perdas das gigantes do semicondutores SK hynix e Samsung.
As quedas das bolsas "parecem refletir que as ações de semicondutores na Coreia do Sul tinham subido muito e rápido demais, o que gerou uma venda agressiva de investidores estrangeiros e instituições domésticas", disse à AFP Joo Won, chefe de pesquisas econômicas da Hyundai Research Institute.
A Bolsa de Tóquio encerrou esta terça-feira com queda de 3,55%, enquanto Hong Kong perdeu 1,8%; Xangai, 1,4%; e Taipé, 1,34%.
- "Correção dos valores" -
O ânimo dos mercados está sendo afetado pela "correção dos valores tecnológicos", resumiu John Plassard, do Cité Gestion Private Bank.
O anúncio da SpaceX de que vai contrair uma dívida de até 20 bilhões de dólares (102 bilhões de reais) trouxe à tona os temores dos investidores sobre as valorizações do setor e a rentabilidade futura de seus grandes investimentos para desenvolver a inteligência artificial.
As preocupações provocadas pela saída de dois de seus especialistas em inteligência artificial, contratados por concorrentes, pesaram ainda mais para a Alphabet, a empresa matriz do Google, que perdeu 5,02% na segunda-feira.
As empresas de semicondutores, indispensáveis para construir os centros de dados onde os modelos de inteligência artificial são treinados, operavam em queda nas diversas bolsas de valores.
O setor tecnológico tem sido o principal motor dos mercados de ações nos últimos meses.
De forma mais geral, "os investidores estão recolhendo alguns benefícios" depois de um "auge espetacular", avaliou Plassard.
O outro grande foco de atenção dos mercados nos últimos meses tem sido a guerra no Oriente Médio, que parece caminhar para uma solução com as negociações do fim de semana entre Washington e Teerã.
Os preços do petróleo baixaram, à medida que mais petroleiros voltam ao Estreito de Ormuz, e também pela suspensão temporária das sanções dos Estados Unidos contra o Irã no âmbito dos diálogos bilaterais.
Às 15h30 (12h30 de Brasília), o barril de Brent do Mar do Norte operava em queda de 0,7%, a 77,17 dólares, enquanto o americano West Texas Intermediante recuava 0,6%, a 73,23 dólares.
Com estas quedas, os preços do petróleo estão perto do nível de antes da guerra no Oriente Médio, mas a brecha diminuiu para menos de 10%. Durante o conflito, as cotações dispararam acima dos 110 dólares, desestabilizando a economia global.
L.Peeters--CPN