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Quais medidas econômicas esperar se Donald Trump for eleito presidente dos EUA?
Donald Trump fez da economia um argumento de sua campanha em 2020. Continuará sendo uma questão importante este ano, uma vez que a inflação e as altas taxas de juros continuam no centro das preocupações dos americanos.
Aqui estão três medidas que provavelmente estarão entre suas prioridades econômicas, se retornar à Casa Branca:
- Tarifas e a guerra comercial com a China -
"Quando as empresas chegam e vendem seus produtos nos Estados Unidos, deveriam pagar automaticamente, digamos, 10%", declarou o ex-presidente à Fox Business em agosto.
A receita fiscal "seria usada para pagar a dívida", acrescentou, em uma entrevista ao seu ex-conselheiro econômico Larry Kudlow.
De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), as tarifas sobre mercadorias que entram nos EUA estão atualmente em uma média de 3,4%, com disparidades de acordo com o produto e país de origem.
Não se sabe, contudo, se essa "tarifa universal de 10%" substituiria, ou seria somada à já existente.
Esta "guerra comercial" seria o primeiro "elemento essencial" da política econômica de Trump, explicou o vice-presidente do Peterson Institute for International Economics (PIIE), Marcus Noland, em uma entrevista à AFP.
Sua preocupação é que isso "enfraqueça ainda mais o sistema de comércio internacional" e "prejudique ainda mais a OMC".
Com consumidores lutando contra a inflação, os aumentos tarifários poderão elevar o preço dos bens importados. A China, em particular, deverá permanecer na mira do ex-presidente.
"Há muitas incógnitas", mas "Trump parece ter-se concentrado na guerra comercial com a China", disse à AFP Steven Hamilton, professor da Universidade George Washington.
- Redução de impostos -
Uma das principais medidas do primeiro mandato do republicano foi reduzir os impostos para muitas famílias e grandes empresas. Mas esta reforma expira em 2025.
"Na minha opinião, a prioridade econômica, se for eleito, seria consolidar esta reforma fiscal e desenvolvê-la", analisou Richard Stern, diretor da Heritage Foundation, um "think tank" de tendência republicana e muito proeminente durante o governo Trump.
Para Ben Ritz, diretor do Center for Funding America's Future - entidade que promove a responsabilidade fiscal -, "as peças centrais da agenda econômica de Trump serão as guerras comerciais e as reduções de impostos".
Segundo ele, o magnata "dirá que isso coloca dinheiro no bolso dos americanos", mas, "na realidade, apenas aumentará a nossa dívida, o custo dos empréstimos, os custos para os consumidores e provavelmente irá nos isolar internacionalmente de nossos aliados", alerta.
- Indústrias verdes em risco -
Os veículos elétricos e os painéis solares correm o risco de perder seu brilho com Trump como presidente.
A Lei de Redução da Inflação (IRA, na sigla em inglês), aprovada em 2022, destinará US$ 370 bilhões (R$ 1,8 trilhão na cotação atual) para energias limpas. É "provavelmente a maior iniciativa de (Joe) Biden", observa Hamilton.
Trump está decidido a reduzi-la e a "maximizar a produção de combustíveis fósseis", afirmaram assessores do republicano ao Financial Times em novembro.
Para Ritz, isso "sufocará" uma indústria de tecnologia verde em franca expansão, "que a IRA foi concebida para estimular".
Pelo lado conservador, contudo, a decisão parece justificada: "se sua motivação é tentar lutar contra a mudança climática, o correto é se livrar do IRA", segundo Stern, que acredita que o plano "desperdiçará" dinheiro público e privado para apoiar "tecnologias que já sabemos que não resolverão o problema".
D.Philippon--CPN