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Cúpula do Mercosul começa com dura crítica a assimetrias do pacto com a UE
A 68ª cúpula de presidentes do Mercosul começou nesta terça-feira (30), em Assunção, com uma dura crítica do presidente paraguaio, Santiago Peña, às "assimetrias" geradas após a assinatura de um acordo de livre comércio com a União Europeia.
"O campo não está nivelado para todos por igual, não temos o mesmo mercado, nem as mesmas indústrias, nem a mesma logística", disse Peña ao abrir a sessão na sede da Conmebol em Luque, nos arredores da capital paraguaia.
Além do anfitrião, participam da cúpula os presidentes dos países-membros Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Rodrigo Paz (Bolívia) e Yamandú Orsi (Uruguai), além dos associados José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).
O argentino Javier Milei, que inicialmente tinha confirmado sua participação, a cancelou em meio à convulsão política em casa devido à renúncia de seu agora ex-chefe de gabinete por um escândalo de suposto enriquecimento ilícito.
Em seu duro discurso de abertura, Peña exigiu "resultados concretos" para que o acordo com a União Europeia, assinado em janeiro e cuja ratificação pela UE segue pendente, corrija "as assimetrias".
"Para que negociamos com a Europa se o acesso a novos mercados não há de servir para desenvolver o que ainda não está desenvolvido?", reclamou.
- "Gosto amargo" -
Peña denunciou o "gosto amargo" que a implementação inicial do acordo com a UE deixou para seu país.
O presidente paraguaio fez alusão ao problema sensível da distribuição de cotas de exportação com preferências tarifárias no bloco regional para os produtos destinados à UE.
"É uma questão de justiça. Um Mercosul sem justiça é qualquer coisa menos um bloco fraterno", queixou-se, quando alguns dos parceiros conseguiram se destacar nas primeiras etapas do novo pacto comercial.
A UE oferece cotas de importação com benefícios tarifários e é o Mercosul que deve resolver como distribui o volume entre seus membros.
"Se o Mercosul quer ser confiável para fora, primeiro deve ser por dentro", afirmou Peña, o primeiro a discursar na cúpula do bloco.
"Queremos um Mercosul onde o mais forte pisoteia o mais fraco?", questionou.
"O Paraguai mantém sua posição sobre a distribuição das cotas. Isto não é um capricho, isto é justiça", acrescentou Peña.
- Minuto de silêncio -
Os chefes de Estado devem aprovar o início oficial dos diálogos para um acordo de livre comércio com o Japão e os detalhes técnicos do acordo com a União Europeia, assinado em janeiro passado na capital paraguaia e vigente desde maio.
A pedido de Lula, os mandatários presentes fizeram um minuto de silêncio em "solidariedade" com a Venezuela e as vítimas dos terremotos mortais que sacudiram o país na semana passada.
"Quero começar a minha fala dedicando minha solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante das perdas humanas e materiais incalculáveis causadas pelos terremotos da semana passada", disse Lula.
"Tragédias como essa convidam a uma reflexão sobre a importância da solidariedade e da cooperação regionais", afirmou Lula após o minuto de silêncio.
H.Müller--CPN