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Trump provoca fúria ao publicar vídeo dos Obama como macacos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou indignação entre os democratas nesta sexta-feira (6) ao publicar um trecho de vídeo satírico que retrata Barack Obama e sua esposa, Michelle Obama, como macacos.
O trecho de um segundo aparece inserido em um vídeo que Trump publicou em sua plataforma Truth Social, com teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020, que ele perdeu para o democrata Joe Biden.
A imagem de Barack e Michelle Obama, incluída no vídeo de propaganda política de Trump, é um recorte de outro meme satírico no qual Trump aparece como um leão, rei da selva, e diversos políticos, entre eles os Obama, surgem como animais que lhe prestam reverência ou fazem palhaçadas.
As principais lideranças democratas condenaram a publicação como "racista", enquanto a Casa Branca rejeitou o que classificou como "indignação falsa".
A música "The Lion Sleeps Tonight" toca ao fundo quando os Obama aparecem no vídeo.
O material repete acusações falsas de que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems ajudou a roubar a eleição de 2020 de Trump e a entregar a vitória a Biden, que à época havia sido vice-presidente de Obama.
"Isso vem de um vídeo meme da internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de 'O Rei Leão'", afirmou em comunicado à AFP a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
"Por favor, deixem a indignação falsa de lado e publiquem hoje algo que realmente importe ao público americano", acrescentou.
- Reação de Newsom -
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, possível candidato democrata à Presidência em 2028 e crítico destacado de Trump, reagiu duramente à publicação.
"Comportamento repugnante por parte do presidente. Todo republicano deveria denunciá-lo. Agora", escreveu a assessoria de imprensa de Newsom na rede social X.
Na mesma rede, o senador republicano, Tim Scott, aliado de Trump, também reagiu de forma negativa.
"Rezo para que isso seja falso, porque é a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca. O presidente deveria retirar isso", publicou.
Ben Rhodes, ex-assessor de Segurança Nacional e confidente próximo de Obama, também condenou as imagens.
"Os americanos do futuro vão abraçar os Obama como figuras queridas, enquanto ele [Trump] será estudado como uma mancha em nossa história", escreveu no X.
- Conspiração -
Obama foi o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou, na campanha de 2024, a adversária de Trump, Kamala Harris.
Trump iniciou sua carreira política impulsionando a teoria conspiratória racista e falsa do "birther", segundo a qual seu antecessor democrata não teria nascido nos Estados Unidos.
O republicano mantém há anos uma rivalidade amarga com Obama, que governou o país de 2009 a 2017, e demonstrou irritação com a popularidade do democrata e com o fato de ele ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
Trump sucedeu Obama no poder, governando entre 2017 e 2021, e retornou à Casa Branca quatro anos depois, após o intervalo democrata de Biden, algo que não ocorria nos Estados Unidos havia um século.
O republicano, de 79 anos, continua afirmando que venceu a eleição de 2020, embora todas as suas ações judiciais tenham sido rejeitadas.
No primeiro ano de seu segundo mandato, Trump intensificou a publicação de imagens feitas com inteligência artificial na Truth Social e em outras plataformas, frequentemente para se glorificar e ridicularizar críticos.
No ano passado, Trump publicou um vídeo gerado por IA que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval e depois atrás das grades.
Em seguida, divulgou um clipe de IA do líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, com bigode falso e chapéu de mariachi. Jeffries classificou a imagem como racista.
burs-dk/jz/nn/lm/aa
S.F.Lacroix--CPN