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Boeing tentará arrecadar quantia maior do que a anunciada, após lançar oferta de ações
A fabricante de aeronaves Boeing, afetada por uma greve desde setembro, tentará arrecadar uma valor maior do que o anunciado inicialmente através da emissão de títulos no mercado de ações: a meta agora é de US$ 21 bilhões (aproximadamente R$ 120 bilhões na cotação atual).
Na segunda-feira (28), a gigante americana anunciou sua tentativa de vender 90 milhões de ações ordinárias e certificados de depósito, equivalentes a ações ou frações desses títulos, para tentar arrecadar US$ 19 bilhões (R$ 108,3 bilhões).
Contudo, disponibilizará 112,5 milhões de novas ações em uma operação que levaria ao aumento total de capital para "aproximadamente" US$ 21 bilhões, informou a empresa nesta terça-feira (29) em novo comunicado à imprensa.
O valor poderá ser até US$ 3 bilhões (R$ 17 bilhões) maior se a demanda do mercado for muito forte.
"A Boeing espera utilizar o que for arrecadado para despesas gerais, que podem incluir, entre outros, o pagamento de dívidas, reservas de capital de giro, gastos de capital e investimentos em suas subsidiárias", explicou a empresa em um comunicado na véspera.
Nos últimos dias, a empresa anunciou medidas de contenção de custos, incluindo a redução de sua força de trabalho global em 10%, o que representa cerca de 17 mil postos que serão eliminados.
A greve afeta duas fábricas que produzem os modelos 737 MAX e 777. De fato, o movimento paralisa totalmente a produção do 737, seu avião mais vendido, além do 777, 767 e várias aeronaves militares.
Levantar capital no mercado permitirá à Boeing manter seu status perante as agências, após quase ter sua nota de risco rebaixada devido à greve, que está desvalorizando seus ativos, já afetados por dois acidentes que resultaram em 346 mortes em 2018 e 2019 e pela pandemia.
Os trabalhadores em greve em Seattle, berço da companhia americana, rejeitaram duas ofertas de acordo coletivo. A última, apresentada em 23 de outubro, previa um aumento salarial de 35% em quatro anos — o sindicato pede 40% — e um aumento na contribuição da empresa para o plano de aposentadorias.
A proposta da empresa não incluía a restauração do antigo sistema de aposentadorias, que foi suprimido em 2014 e que muitos trabalhadores exigem, mas que a Boeing rejeita.
A.Levy--CPN