-
"Gus", o tiranossauro mais completo do mundo, é apresentado em NY antes de leilão
-
Casal que escalou Empire State Building para pedido de casamento é detido
-
Saques e prisões após protestos contra imigrantes na África do Sul
-
Robô chinês promete fazer companhia a quem se sente só
-
Nasa revela planos para construir base na Lua
-
EUA suspende restrições a modelos avançados de IA da Anthropic
-
Trump ganhou quase US$ 1,2 bilhão com criptomoedas em 2025
-
Mercosul mostra divergências após acordo com a UE e manifesta solidariedade à Venezuela
-
Chefe da CIA define modelos mais avançados de IA como 'armas nucleares digitais'
-
Supremo dos EUA rejeita tentativa de Trump de restringir cidadania por nascimento
-
Cúpula do Mercosul começa com crítica a assimetrias do pacto com a UE
-
Cúpula do Mercosul começa com dura crítica a assimetrias do pacto com a UE
-
Nasa prepara missão robótica para salvar o telescópio espacial Swift
-
Taiwan investiga empresas por suposto contrabando de chips para a China
-
Mais de 58.000 edifícios danificados ou destruídos por terremotos na Venezuela
-
Mercosul dá forte apoio a governo da Bolívia
-
Suprema Corte dos EUA rejeita tentativa de Trump de demitir governadora do Fed
-
Comcast vai desmembrar NBCUniversal e Sky
-
França aprova lei para frear o auge da moda ultrarrápida
-
CazéTV, o canal de YouTube que quebra recordes na Copa
-
Cabo Verde, um refúgio para a comunidade LGBTQIA+ na África
-
Cães desaparecem antes da proibição da carne canina na Coreia do Sul
-
Princesa Kate completa desafio das três montanhas em apoio à associação de combate ao câncer
-
Coreia do Sul vai investir US$ 1,2 trilhão em chips e centros de dados de IA
-
EUA e Irã interrompem hostilidades e devem prosseguir com as negociações
-
Escritor francês encontra livro gerado por IA e assinado com seu nome
-
Da Alemanha à Dinamarca, recordes históricos de temperaturas na Europa
-
Milhões de europeus enfrentam temperaturas recordes neste sábado
-
Chapare, a terra da coca que desafia o governo da Bolívia
-
Morre o piloto que colidiu seu avião contra arranha-céu em Pequim
-
OpenAI lança modelo de IA apenas nos EUA, a pedido de Trump
-
Rei Charles III não residirá no Palácio de Buckingham, apesar de reforma
-
Como a família real britânica é financiada e em quê investe seus recursos
-
Como sobreviver aos desfiles de moda de Paris em plena onda de calor
-
Participar de atos religiosos aumenta vínculo social e limiar da dor
-
Bélgica cancela reencenação da batalha de Waterloo devido à onda de calor
-
努莎·奧貝爾與迪特馬爾·沃伊德克 波茨坦如何辜負一名重度殘障幼兒
-
Charles III pagou quase US$ 40 milhões em impostos desde que subiu ao trono
-
Governo Milei sofre revés judicial por cortes de fundos para universidades
-
Ganha força boato sobre casamento de Taylor Swift na próxima semana em NY
-
Parques de Paris viram 'hotéis' na noite mais quente registrada na França
-
Inflação dos EUA sobe a 4,1% em maio, maior nível em três anos
-
Ministra sueca rompe barreiras ao participar de reuniões da UE com seu filho nos braços
-
'Wannabe', sucesso das Spice Girls, completa 30 anos em meio a rumores de reencontro
-
Preço do Brent cai abaixo do nível anterior à guerra no Oriente Médio
-
Novo tipo de vacina permite imunizar contra famílias de vírus (pesquisadores)
-
Onda de calor sufoca Europa e testa redes elétricas
-
Descoberta aproxima cientistas da misteriosa fronteira dos buracos negros
-
Irã apresenta acordo para acabar com a guerra como 'declaração de derrota dos EUA'
-
'Grand Theft Auto VI' abre pré-venda na quinta-feira
Renascer em um salão de tatuagens: quando a tinta cura feridas do tráfico sexual nos EUA
O sete tatuado na perna esquerda de Emily é uma ferida aberta. Uma lembrança constante, dolorosa, dos 17 anos nos quais foi vítima de tráfico sexual. Um selo imposto pelo homem, com quem seu pesadelo começou.
Um dia, esse cafetão obrigou Emily e outras mulheres a tatuarem esse número. Era uma forma de marcá-las, de mostrar que lhe pertenciam, uma prática comum entre os traficantes.
Em um estúdio de tatuagem na Flórida, Emily (pseudônimo) espera ansiosamente que esse traço do passado seja substituído por um desenho que ela escolheu: um coração e uma cruz.
A empresa, onde trabalham três mulheres, aceitou o convite da ONG Selah Freedom para ajudar vítimas de exploração sexual a apagarem as marcas de seus agressores.
Sentada em uma mesa, Emily olha para sua tatuagem. Ele tem 44 anos e está ausente do negócio de jardinagem da família. O quarto é espaçoso e luminoso. Paredes brancas, um espelho e uma planta. Uma pintura emoldurada de borboletas.
Tudo está pronto. A dona do salão, Charity Pinegar, de 40 anos, traça com cuidado o contorno do coração e da cruz.
Uma tatuagem conta uma história, e a de Emily é triste. Ou assim foi por muito tempo. Começa com uma infância traumática, sem afeto, que prejudica sua autoestima e cria um vazio.
"Desde então eu só queria ser amada", desabafa. "Mesmo que alguém me machucasse, isso mostrava que se importavam. E eu caí nos braços de todas as pessoas erradas".
Uma dessas pessoas, o responsável por sua tatuagem, pediu-lhe anos atrás que deixasse a Flórida para morar com ele em outro estado. Emily se apaixonou e o seguiu. Eles iriam se casar, ela estava convencida disso.
Quando entendeu que seu namorado era um cafetão, já era tarde. Foi agredida e viu-o obrigando outras mulheres a se prostituírem. Foi seu primeiro contato com o que as sobreviventes do tráfico sexual chamam de "a vida".
Emily escapou desse confinamento, porque encontrou um emprego e, sobretudo, porque fugiu a tempo com a ajuda da família. Mas o dano foi feito.
Esse episódio deu início a uma existência marcada por homens violentos. Homens que venderam seu corpo e lhe deram as drogas com as quais ela acreditava estar fugindo da realidade.
"Fui fisgada e estava mais ou menos disposta a fazer tudo o que me pediam", diz ela.
- Desumanizar -
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2021 havia 6,3 milhões de vítimas de exploração sexual. Quatro em cada cinco eram mulheres, ou meninas.
Os Estados Unidos não têm estatísticas oficiais a esse respeito. O mais próximo disso são os dados do número nacional contra o tráfico de pessoas: em 2021, recebeu 7.500 chamadas para denunciar casos de tráfico sexual.
Desde 2011, Selah Freedom ajudou mais de 6.000 vítimas na Flórida. Seu programa de dois anos inclui terapia psicológica, alimentação, vestuário, hospedagem e treinamento profissional.
E inclui, ainda, a substituição das tatuagens impostas a essas mulheres para "desumanizá-las", explica sua diretora, Stacey Efaw.
Breanna Cole, de 29 anos, conhece muito bem o trabalho da ONG porque, antes de trabalhar nela, era uma de suas beneficiárias.
Uma infância infeliz, com um pai ausente, fez Breanna buscar fora de casa o amor que não encontrava em casa. Aos 13 anos, apaixonou-se por um garoto violento, com quem descobriu as drogas. Para financiar seu vício, ele começou a explorá-la sexualmente. Foi o primeiro a fazer isso.
"Ele me dizia: se você me ama, você vai fazer", lembra.
Os anos seguintes foram uma descida ao inferno das drogas intravenosas, da vida nas ruas, sem um teto. Teve vários outros relacionamentos, e em todos foi explorada.
Em 2016, ela conheceu a Selah Freedom, mas não estava pronta para lutar contra o vício. Um ano depois, entrou no programa.
"Cheguei a esse ponto de ruptura. Estava destruída espiritualmente e sabia que tinha que mudar de vida, ou que ia morrer", acrescentou.
A terapia fez Breanna entender que havia sido vítima de tráfico sexual. Também ensinaram a ela que merecia ser salva e que, talvez, pudesse ajudar outras mulheres.
- "Estou viva" -
Pinegar descobriu o vínculo entre tatuagens e exploração sexual apenas alguns meses atrás, enquanto tatuava uma funcionária da Selah Freedom. Quando a ONG perguntou se queria ajudar, concordou imediatamente.
Sob a luz branca de uma luminária de teto, a tatuadora se concentra no coração. Ela preenche-o lentamente com tinta preta. A agulha perfura a pele de Emily, que aperta os dentes.
Seu destino mudou em 2020 quando foi resgatada por um policial e ele levou-a para a ONG. Lá, Emily começou a curar suas feridas, a se reconectar com os demais.
"Muito desconfortável se acostumar com alguém que goste de você sem esperar nada em troca", lembra ela.
O processo permitiu que ela fizesse as pazes com sua família e conhecesse o amor. Agora, é casada e tem filhos. Conta isso alternando risos e choros, com os nervos à flor da pele.
Pinegar acabou. Limpa a tatuagem com gaze e cobre com filme transparente. Emily observa com medo, como se o número sete ainda estivesse ali. Ela fica em silêncio por alguns segundos e diz: "Sinto que estava morta e agora estou viva".
Y.Tengku--CPN