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Ozzy, o 'Príncipe das Trevas' do heavy metal
Ozzy Osbourne passará para a história da música como o "Príncipe das Trevas" do heavy metal, o lendário roqueiro que realizou seus sonhos de uma vida intensa como líder da banda Black Sabbath.
Após décadas de excessos e mais de 100 milhões de álbuns vendidos, o cantor britânico faleceu nesta terça-feira (22) aos 76 anos. Deixa sua esposa Sharon, seis filhos, vários netos e um legado permanente nos anais do rock 'n' roll.
Ele morreu apenas semanas depois de um show de despedida diante de 40 mil pessoas no Villa Park, estádio do seu querido Aston Villa, em sua cidade natal, Birmingham, no centro da Inglaterra. Ícones da realeza do rock reuniram-se para homenageá-lo, como Metallica, Guns N' Roses e membros de Aerosmith e Rolling Stones.
Bem distante dos excessos e escândalos que definiram seus dias de glória nos anos 1970, Ozzy, como era conhecido por todos, conquistou legiões de novos fãs nos anos 2000 como o avô meio surdo, um pouco maluco, mas carinhoso, no bem-sucedido reality show da MTV The Osbournes.
Até então, era conhecido por morder a cabeça de um morcego de verdade durante um show e por urinar na taça de vinho de um executivo de gravadora e também sobre o Cenotáfio de El Álamo, no Texas.
Mas para os fãs do hard rock, será sempre lembrado como o vocalista do Black Sabbath, a banda que ajudou a lançar o gênero heavy metal, uma mistura de rock e blues impregnada de rebeldia e letras sombrias.
- 'As garotas saíram gritando' -
O Black Sabbath teve sucesso imediato desde o lançamento de seu álbum homônimo de estreia em 1970.
Durante quase cinco décadas, centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo continuaram a se reunir para ouvir hinos do rock como "Paranoid", "Iron Man" e "War Pigs" nas energéticas apresentações ao vivo da banda, até a última performance em Birmingham, em 2017.
Ozzy, como muitos de seus contemporâneos, sofreu lapsos de memória devido ao consumo de álcool e drogas. Em 2010, cientistas chegaram a analisar seu genoma para tentar entender como ele sobreviveu a tantos excessos.
Ozzy não lembrava onde havia tocado pela primeira vez o álbum de estreia do Black Sabbath, mas recordava bem a reação do público: "Todas as garotas saíram do lugar gritando", contou em sua autobiografia "Eu Sou Ozzy".
Seu estilo de vida selvagem o levou a enfrentar problemas com a Justiça, incluindo processos por satanismo e incitação ao suicídio. Mas sua carreira criminosa começou cedo: foi preso por roubar uma televisão e roupas de bebê.
John Michael Osbourne nasceu em uma família operária em Birmingham em 3 de dezembro de 1948 e ganhou seu apelido ainda na escola primária.
Disléxico e cansado das tarefas escolares, abandonou os estudos aos 15 anos e trabalhou em diversos empregos manuais, incluindo em um matadouro.
Mas já havia decidido que se tornaria uma estrela do rock depois de ouvir os Beatles no rádio, uma fantasia que realizou incrivelmente rápido.
- Vida pessoal turbulenta -
Pouco depois de conhecer o guitarrista Tony Iommi, os dois decidiram "parar de tocar blues e começar a compor música assustadora", inspirados por filmes de terror.
O som de riffs pesados acompanhados pela voz monótona de Ozzy cantando letras que exploravam o lado sombrio da natureza humana logo se tornou a base do heavy metal.
"Pink Floyd era música para garotos ricos da universidade, e nós éramos exatamente o oposto disso", afirmou.
Os álbuns eram lançados em ritmo frenético, muitas vezes rejeitados pela crítica, mas adorados pelos fãs. Ozzy deixou a banda em 1979 para seguir uma carreira solo de sucesso, com hits como "Crazy Train", "Mr. Crowley" e "Mama, I'm Coming Home", enquanto enfrentava uma vida pessoal conturbada.
Seu primeiro casamento, com Thelma, com quem teve dois filhos, Elliot e Jessica, foi, segundo ele próprio, um desastre. Em 1982, casou-se com Sharon, sua empresária, que rapidamente se tornou seu principal apoio. Tiveram três filhos: Aimee, Kelly e Jack, e adotaram outro, Roberto.
Apesar da personalidade aparentemente despreocupada, a morte de amigos roqueiros como Lemmy Kilmister, do Motörhead, e David Bowie o deixou reflexivo. "Todos estão morrendo ao meu redor", disse à revista Rolling Stone em 2016.
Foi diagnosticado com Parkinson em 2019, e toda a renda de seu último show, em 5 de julho, foi destinada a organizações de caridade como a Cure Parkinson's e o Hospital Infantil de Birmingham.
Mas o "Príncipe das Trevas" se manteve firme por mais seis anos antes de se juntar aos seus companheiros no panteão dos grandes músicos britânicos.
A.Agostinelli--CPN