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'Magna Carta' que pertence a Harvard é original, dizem especialistas britânicos
Um exemplar da Magna Carta, documento medieval inglês fundador da democracia e do direito constitucional modernos, que pertence a Harvard e era considerado uma cópia, é um dos poucos originais restantes, anunciaram pesquisadores britânicos nesta quinta-feira (15).
Segundo especialistas das universidades King's College London e East Anglia, o documento, adquirido pela instituição americana há quase 80 anos, é um dos sete originais remanescentes de 1300, com o selo de Edward I.
A Magna Carta, assinada pela primeira vez em 1215 pelo rei da Inglaterra João Sem-Terra, garantia os direitos feudais e estabelecia medidas para proteger as liberdades individuais.
O documento foi redigido pelo arcebispo de Canterbury, Stephen Langton, com o objetivo de que o monarca inglês fizesse as pazes com um grupo de barões rebeldes.
Nenhum dos lados cumpriu seus compromissos e a carta foi anulada pelo papa Inocêncio III.
O rei Edward I, neto de João Sem-Terra, mais tarde promulgou uma versão final do documento, com algumas emendas, conhecida como Confirmação das Cartas, em 1300.
Ao longo dos séculos, tornou-se um símbolo do direito contra o poder arbitrário e inspirou os instigadores da independência americana no final do século XVIII.
Em 1946, a biblioteca da Faculdade de Direito de Harvard comprou o que pensou ser uma cópia pelo equivalente a US$ 470 (R$ 2.636 na cotação atual), segundo um cálculo de inflação do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos.
Mas os pesquisadores notaram que suas dimensões correspondiam às dos seis originais conhecidos, assim como a caligrafia, com a inicial "E" maiúscula, de "Edwardus", e as letras alongadas na primeira linha.
"É uma descoberta fantástica", disse David Carpenter, professor de História Medieval no King's College London.
"A Magna Carta de Harvard merece ser reconhecida, não como uma simples cópia manchada e desbotada, mas como o original de um dos documentos mais importantes da história constitucional mundial, uma pedra angular das liberdades passadas, presentes e a serem conquistadas", destacou Carpenter.
M.Anderson--CPN