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Síria diz que retira tropas de região drusa após pedido dos EUA e bombardeios de Israel
O Exército sírio informou nesta quarta-feira (16) que iniciaria sua retirada da cidade de Sweida, no sul do país, que é palco nos últimos dias de enfrentamentos que deixam mais de 350 mortos, após pedido dos Estados Unidos e bombardeios de Israel em Damasco.
De acordo com o último balanço do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), mais de 350 pessoas morreram desde o início dos combates entre drusos e tribos beduínas sunitas, desencadeados no domingo pelo sequestro de um comerciante de verduras druso.
As forças governamentais sírias foram mobilizadas na terça-feira para conter a violência na cidade de Sweida, que antes era controlada por combatentes drusos. O OSDH, testemunhas e grupos drusos acusaram-nas de inúmeros abusos, incluindo a execução de civis e saques.
"As forças do Exército começaram a se retirar da cidade de Sweida em aplicação dos termos do acordo conseguido depois do fim das operações contra grupos fora da lei", indicou o Ministério da Defesa sírio em comunicado nesta quarta.
Israel, que ocupa e anexou a maior parte das Colinas de Golã sírias -- onde vive uma grande população drusa -- reiterou nos últimos dias que não permitirá nenhuma presença militar no sul da Síria, perto da fronteira comum.
Nesta quarta, bombardeou o quartel-general do Exército sírio em Damasco, em pleno centro da cidade.
Os Estados Unidos, aliados próximos de Israel, tentam reduzir a tensão. O secretário de Estado, Marco Rubio, disse hoje que um acordo foi firmado para restaurar a calma na região.
"Acordamos passos específicos que vão pôr fim a esta situação preocupante e horrível esta noite", escreveu Rubio na rede social X.
Em coletiva de imprensa, sua porta-voz Tammy Bruce declarou que Washington instava "o governo sírio a retirar seu Exército para permitir que todas as partes desescalem e encontrem um caminho a seguir".
Segundo o OSDH, entre os mortos há 79 combatentes drusos, 55 civis, 189 membros do Exército ou das forças de segurança, e 18 combatentes beduínos. A estes somam-se 15 soldados e membros das forças governamentais que morreram em ataques israelenses.
Entre as vítimas, o observatório contabiliza um funcionário de um meio de comunicação, identificado como Hassan al Zaabi, que, segundo o sindicato de jornalistas sírio, foi morto em Sweida "enquanto realizava o seu dever profissional", mas não detalhou para que organização trabalhava.
- "Agressão desenfreada" -
A violência em Sweida ilustra os desafios que o governo interino de Ahmed al Sharaa enfrenta desde que ele e uma coalizão de grupos rebeldes sunitas derrubaram o presidente Bashar al Assad em dezembro, em um país marcado por quase 14 anos de guerra civil.
Os drusos são uma minoria importante do Oriente Médio, cuja religião deriva do islã xiita. Estão presentes no Líbano, no sul da Síria e nas Colinas de Golã sírias ocupadas por Israel.
O titular da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, condenou nesta quarta os bombardeios israelenses na Síria.
"O irascível regime israelense não conhece limites [...] O mundo, inclusive a região, deve se unir para que cesse sua agressão desenfreada", disse Araghchi.
Garantiu que o seu país "apoia a soberania e a integridade territorial da Síria e estará sempre ao lado do povo sírio".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou "a escalada de bombardeios de Israel", bem como "os relatos de que as Forças de Defesa Israelenses voltaram a ser destacadas em Golã", disse o seu porta-voz Stéphane Dujarric em comunicado.
- "Salvem Sweida" -
As autoridades sírias denunciaram a "perigosa escalada" de Israel após os ataques e reafirmaram o direito da Síria a "defender seu território e seu povo".
Dezenas de drusos cruzaram a fronteira em ambas as direções nesta quarta, sob as bombas de gás lacrimogênio das forças israelenses, informou um correspondente da AFP.
Em Sweida, um correspondente da AFP viu pela manhã cerca de 30 corpos estendidos no chão, alguns deles de forças do governo e outros de combatentes em roupas civis, sem conseguir identificá-los.
"Estou no coração da cidade de Sweida, ao lado do prédio do governo [...] Não vou sair e, de qualquer forma, não há como escapar", relatou um morador à AFP por telefone.
Antes disso, um dos líderes religiosos drusos mais influentes, Hikmat al Hijri, fez um apelo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "e a todos os que têm influência no mundo".
"Salvem Sweida", disse. "Nosso povo está sendo exterminado e assassinado a sangue frio."
P.Kolisnyk--CPN