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Irã ameaça Israel com resposta 'mais devastadora'
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, ameaçou neste sábado (21) Israel com uma resposta "ainda mais devastadora" aos seus ataques e descartou a interrupção do programa nuclear de seu país, no nono dia de guerra entre os dois inimigos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu na sexta-feira que o Irã tem um prazo "máximo" de duas semanas para evitar possíveis bombardeios de Washington.
"Nossa resposta à contínua agressão do regime sionista será ainda mais devastadora", advertiu Pezeshkian durante uma ligação telefônica com o presidente francês, Emmanuel Macron, segundo a agência oficial de notícias Irna.
Israel afirmou que a "campanha" militar contra o Irã será "longa" e seu chanceler, Gideon Saar, considerou que a guerra "adiou pelo menos dois ou três anos" o desenvolvimento de uma bomba atômica no Irã.
Israel lançou em 13 de junho uma ampla campanha de ataques aéreos contra o Irã com o objetivo de evitar que seu arquinimigo adquirisse a bomba atômica.
Os bombardeios israelenses atingiram centenas de instalações militares e nucleares na República Islâmica, e tiraram a vida de militares de alto escalão e cientistas envolvidos no programa nuclear.
O Irã nega que deseja se dotar de armas atômicas e defende seu direito a um programa nuclear civil. "Não concordamos em reduzir as atividades nucleares a zero em nenhuma circunstância", disse Pezeshkian.
- Três comandantes mortos -
Irã e Israel trocaram ataques mutuamente neste sábado, e ouviram-se várias explosões à noite no centro e norte de Teerã, segundo jornalistas da AFP.
O Exército israelense anunciou que havia matado três altos responsáveis da Guarda Revolucionária: Said Izadi, um comandante desse exército ideológico que era responsável pela coordenação com "a organização terrorista Hamas", e outros dois comandantes.
Em outros ataques israelenses, morreram quatro combatentes da Guarda em Tabriz (noroeste) e cinco militares no oeste do Irã, segundo agências locais.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que bombardeios israelenses atingiram uma fábrica de centrífugas -- usadas para enriquecer urânio -- nas instalações nucleares de Isfahan, no centro do Irã, mas sem consequências em "termos de radiação".
Segundo o último balanço do Ministério da Saúde iraniano, comunicado neste sábado, mais de 400 pessoas morreram e mais de 3.000 ficaram feridas desde o início da guerra.
Os ataques de represália iranianos teriam deixado pelo menos 25 mortos em Israel, segundo autoridades desse país.
- "Tive medo" -
Israel também atacou a cidade sagrada xiita de Qom, ao sul de Teerã, onde um adolescente morreu, segundo a agência oficial Irna.
O jornal iraniano Sharagh informou "potentes explosões" no sudoeste do país, onde o Exército israelense havia anunciado bombardeios contra "infraestruturas militares".
No hospital Rasul Akram, em Teerã, os médicos atendiam pessoas feridas nos bombardeios.
"Trabalho como entregador. Estava entregando comida de moto quando, de repente, houve uma explosão na minha frente. Vi que estava sangrando na cabeça, tive medo e comecei a gritar. Um voluntário me trouxe aqui", contou à AFP Shahram, de 33 anos.
Por sua vez, a Guarda Revolucionária anunciou "operações combinadas" noturnas com drones e mísseis contra território israelense.
Um edifício residencial no vale de Beit Shean, no norte de Israel, foi atingido por um drone, informaram os serviços de resgate, que não reportaram vítimas.
- Duas semanas -
O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, após reunir-se em Genebra na sexta-feira com seus colegas alemão, francês e britânico, afirmou que seu país não retomará as negociações nucleares com os Estados Unidos até que os bombardeios israelenses cessem.
Embora não mantenham relações diplomáticas há quatro décadas, os Estados Unidos e o Irã realizaram desde abril várias rodadas de negociações sobre o programa nuclear de Teerã.
A ofensiva israelense interrompeu esses contatos e agora o presidente dos Estados Unidos considera uma intervenção direta no conflito. Trump declarou na sexta-feira que o Irã tem um "máximo" de duas semanas para evitar possíveis ataques aéreos dos Estados Unidos.
Os rebeldes huthis do Iêmen, que concluíram em maio um acordo de cessar-fogo com Washington, ameaçaram no sábado atacar navios americanos no Mar Vermelho em caso de intervenção dos Estados Unidos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os europeus iam "acelerar as negociações" com o Irã para "sair da guerra", após a ligação telefônica com Pezeshkian.
Ainda assim, o diretor da AIEA, Rafael Grossi, declarou ao Conselho de Segurança da ONU que não há indícios de que o Irã esteja fabricando uma arma atômica.
Israel mantém opacidade sobre seu arsenal, mas o Instituto Internacional de Estudos de Paz de Estocolmo (SIPRI) estima que possui 90 ogivas nucleares.
H.Müller--CPN