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Indígenas anunciam apoio a Luisa González para 2º turno no Equador
O poderoso movimento indígena do Equador anunciou neste domingo (30), durante evento multitudinário em uma localidade rural, seu apoio à candidata de esquerda à presidência, Luisa González, uma adesão-chave a duas semanas do segundo turno contra o presidente Daniel Noboa.
A eleição entre Noboa e González está marcada para 13 de abril, depois de um primeiro turno disputado em fevereiro, no qual o atual presidente obteve uma vitória apertada, com vantagem de apenas 0,17 pontos porcentuais para sua adversária, o equivalente a 16.746 votos.
Vestida com um poncho vermelho, tradicional dos indígenas do centro andino do país, González firmou um acordo com o partido Pachakutik, braço político da Confederação de Povos Indígenas do Equador (Conaie), no qual se comprometeu a atender uma série de pedidos dos povos originários em caso de vitória.
"Aqui, em Tixán, a história do Equador começa a mudar", disse González, herdeira política do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), em discurso efusivo, enquanto era aclamada por centenas de pessoas na praça central de Tixán, um pequeno povoado rural do município de Alausí, na província de Chimborazo.
O apoio do Pachakutik é vital nesta eleição polarizada, pois seu líder indígena Leonidas Iza ficou em terceiro lugar no primeiro turno com 5,25%, pouco mais de 538.000 votos.
"Nosso voto não é um cheque em branco para ninguém, nem é uma hipoteca sobre nosso projeto político que propusemos ao Equador", advertiu Leonidas Iza em discurso que foi transmitido por videoconferência durante a reunião.
"Vamos governar este país no futuro, mas, neste momento, o mais próximo de nosso projeto político de esquerda é sua proposta política, estimada Luisa González", disse, por sua vez, Alex Toapanta, parlamentar eleito em fevereiro pelo Pachakutik.
O próximo presidente do Equador deverá enfrentar uma onda de violência sem precedentes causada por grupos de traficantes de drogas que, nos últimos anos, ordenaram o assassinato de políticos, autoridades judiciais e jornalistas.
Também deverá encarar o desafio de reativar uma economia em baixa desde a pandemia de covid-19.
A aliança entre González, candidata pelo movimento Revolução Cidadã de Correa, e o Pachakutik marca um novo acordo entre essas duas forças políticas depois que os indígenas romperam por anos com o "correísmo" por diversos desacordos em seus mandatos.
Durante o governo Correa, o movimento indígena protagonizou mobilizações maciças contra projetos petrolíferos e de mineração defendidos pelo ex-presidente, que chegou a ter uma rivalidade declarada com várias lideranças indígenas.
H.Müller--CPN