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Futuro presidente do Equador enfrentará a pior crise em meio século
Apesar de uma sangrenta guerra às drogas, uma economia em colapso e uma grave crise energética, os equatorianos estão otimistas sobre o futuro do país antes das eleições deste domingo (9).
Os últimos anos foram brutais e caóticos para o Equador, uma pitoresca nação andina de cerca de 18 milhões de pessoas que já serviu como um reduto de estabilidade em uma região problemática.
Cortes de energia causados por uma seca histórica mergulharam o país na escuridão. A violência alimentada pelas drogas levou ao assassinato de um candidato presidencial, ao controle de prisões por gangues criminosas e ao ataque a um canal de televisão por homens armados enquanto seus jornalistas transmitiam ao vivo.
Mas uma pesquisa publicada em dezembro pela empresa local Comunicaliza mostrou que mais de 50% dos eleitores acreditam que seu país estará melhor este ano.
"Por quê?", perguntam os analistas, menos otimistas.
O vencedor entre o presidente Daniel Noboa, que defende a liberalização da economia, ou sua rival esquerdista Luisa González enfrentará vários desafios.
"O Equador está passando por um momento muito difícil, acho que está na pior crise desde que voltamos à democracia", há quase meio século, diz Leonardo Laso, analista político.
Dolarizado, com portos estratégicos no Pacífico e espremido entre os dois maiores produtores de cocaína do mundo — Colômbia e Peru — o Equador se tornou um paraíso das drogas.
"O Equador é o lar das máfias albanesa e balcânica, da italiana 'Ndrangheta e das máfias turcas", diz Douglas Farah, consultor de segurança e analista sobre América Latina.
"E agora você tem gangues locais como Los Lobos e Los Choneros, que lutam por território para que possam transportar o produto através do Equador para seus novos compradores na Europa e na Ásia", acrescentou.
Essa transformação deixou níveis recordes de assassinatos, extorsões e sequestros, que excederam as capacidades das forças públicas.
Os equatorianos "nunca experimentaram esse tipo de violência", disse Farah. "Eles estão sendo atingidos por um fenômeno completamente novo, para o qual não estão preparados."
A resposta de Noboa foi mobilizar as Forças Armadas, prender líderes de gangues e interceptar carregamentos de cocaína sempre que possível.
O presidente deu ao público a sensação de que algo está sendo feito, embora poucos especialistas acreditem que esta seja uma estratégia bem-sucedida a longo prazo.
Alternativas como fortalecer a polícia e os serviços sociais, reformar as prisões e criar empregos custam tempo e dinheiro. O Equador tem pouco de ambos.
- Problemas econômicos -
No país sul-americano, estradas e infraestrutura, que antes eram motivo de inveja na região, agora começam a se deteriorar.
"É muito provável que a economia tenha se contraído no ano passado", diz o economista Alberto Acosta Burneo.
O analista atribui parte da culpa aos apagões ocorridos ao longo de 2024, causados por uma seca que afetou a geração hidrelétrica e levou ao fechamento de empresas.
No entanto, especialistas também apontam para a falta de investimento.
Depois de mais de uma década de gastos sem a receita do boom do petróleo que antes enchia os cofres do Estado, a dívida pública agora está em torno de 57% do PIB, de acordo com o FMI.
Noboa foi recentemente ao FMI para solicitar uma tábua de salvação financeira. Mas novos cortes são prováveis, já que o país continua tendo dificuldades para obter empréstimos baratos nos mercados de renda fixa devido à escassez de reservas e a mais de uma dúzia de inadimplências recentes.
A situação de segurança agravou os problemas econômicos do país, afastando visitantes e investidores. "Não há turistas, não há clientes", diz Maria Delfina Toaquiza, uma artesã indígena de 58 anos com uma barraca em uma colina com vista para o centro histórico de Quito.
Para Laso, a dura ofensiva militar de Noboa para combater o problema das drogas também prejudicou a imagem do país.
"Ele sai com colete à prova de balas e capacete, declara estado de exceção, fechou as fronteiras durante as eleições por um potencial problema que pode surgir. E quando faz declarações tão duras (...), ele anula qualquer possibilidade de investimento", considera.
A.Mykhailo--CPN