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Equador diz que perderá US$ 1,2 bi/ano se suspender extração de petróleo na Amazônia
O governo do Equador perderá cerca de US$ 1,2 bilhão por ano em caso de vitória do "Sim" na consulta popular para decidir se a exploração de petróleo deve ser interrompida em um parque na Amazônia, disse o ministro de Energia Fernando Santos nesta quarta-feira (10).
Na terça-feira, a Corte Constitucional autorizou a realização da consulta proposta há dez anos por ambientalistas para manter "indefinidamente no subsolo" o petróleo do bloco Ishpingo, Tambococha e Tiputini (ITT), também conhecido como 43.
Esse bloco, localizado na reserva amazônica de Yasuní (leste), produz cerca de 55.000 barris por dia.
"São cerca de 20 milhões de barris por ano" de produção no ITT, afirmou Santos em declarações divulgadas pelo canal Ecuavisa.
"A 60 dólares [o barril], falamos de 1,2 bilhão de dólares [R$ 5,9 bilhões] a menos [por ano] em receitas, em um país que tem enormes necessidades", acrescentou.
O petróleo é uma das principais fontes de financiamento da economia do Equador, que é dolarizada. O país extraiu, em média, 469.000 barris por dia nos meses de janeiro e fevereiro, dos quais 64% foram destinados à exportação, com preço estabelecido em US$ 64 o barril.
Após a aprovação da Corte Constitucional, o Conselho Nacional Eleitoral deverá convocar a consulta em 15 dias e realizá-la em dois meses. Seu resultado será convertido em lei assim que for publicado no Registro (Diário) Oficial.
Haverá uma campanha "pela defesa da vida, a defesa do Yasuní", disse aos jornalistas a ambientalista Esperanza Martínez, que faz parte da associação Yasunidos, que propôs a consulta em 2013, antes que a exploração do ITT fosse iniciada.
O governo do presidente socialista Rafael Correa (2007-2017) defendia que se evitasse a extração nesse bloco em troca de uma compensação internacional de 3,6 bilhões de dólares (R$ 17,8 bilhões, na cotação atual), mas sua iniciativa fracassou e a exploração foi iniciada em 2016.
O Yasuní tem cerca de um milhão de hectares e foi declarado reserva mundial da biosfera em 1989. O parque abriga povos indígenas nômades, entre eles duas tribos em isolamento voluntário.
Além do ITT, situado na província de Orellana e onde estima-se que haja cerca de 1 bilhão de barris de petróleo, existem outros campos petrolíferos em produção nesse parque amazônico.
O tribunal estabeleceu que, em caso de vitória do "Sim", será necessário conceder até um ano de prazo para a sua execução, tempo durante o qual haverá uma retirada progressiva e ordenada de toda a atividade petrolífera no ITT.
Além disso, o Estado não poderá iniciar novas relações contratuais para seguir com a exploração do mesmo bloco.
D.Goldberg--CPN