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Missão BepiColombo se aproxima de Mercúrio
Depois de oito anos de viagem, a dupla sonda eurojaponesa BepiColombo iniciou, nesta quinta-feira (3), sua aproximação de Mercúrio, o menor e menos conhecido planeta do Sistema Solar.
A sonda foi lançada em 2018 e teve que percorrer mais de 10 bilhões de quilômetros para chegar perto do planeta mais próximo do Sol.
Nesta quinta, a BepiColombo iniciou uma delicada fase de chegada de vários meses, marcada por operações "de alto risco", segundo Ignacio Tanco, diretor da Agência Espacial Europeia (ESA).
O entorno do planeta, submetido a temperaturas que variam de -180ºC a 450°C e a intensas radiações solares, complica as coisas.
Às 12h GMT (09h de Brasília) desta quinta-feira, as duas sondas (ainda unidas entre si) se separaram do módulo que as impulsionava.
A separação foi realizada ao ritmo de "40 cm por segundo", comentou Geraint Jones, chefe de projeto científico da missão.
Devido à distância entre as sondas e a Terra, o sinal que confirmou o sucesso da operação chegou ao centro de controle na Alemanha quase duas horas depois, às 13h53 GMT (10h53 de Brasília).
As duas sondas devem entrar na órbita de Mercúrio em 21 de novembro, antes de uma nova fase delicada nos dias 9 e 10 de dezembro com a separação das duas sondas para se unirem a suas respectivas órbitas.
A partir de abril de 2027, a sonda MPO (Mercury Planet Orbiter) da ESA o estudará com uma precisão inigualável, passando a apenas 480 km de sua superfície.
A sonda Mio (Mercury Magnetospheric Orbiter) da agência espacial japonesa (Jaxa) se centrará, por sua vez, no entorno espacial e seu campo magnético, seguindo uma órbita elíptica que se afastará até 11.000 km.
Mercúrio é muito enigmático. BepiColombo estudará sua atmosfera, chamada exosfera, e seu campo magnético.
Os cientistas se propõem a mapear sua superfície em altíssima resolução para compreender melhor sua atividade vulcânica passada, sua assombrosa densidade e verificar se, como sugerem alguns indícios, seus polos imersos na sombra contêm água congelada.
Também esperam desvendar o mistério de suas depressões na superfície chamadas "hollows".
Y.Tengku--CPN