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Milhares de pessoas se mobilizam em Portugal após remoção de acampamentos por moradia
Milhares de pessoas se manifestaram na noite desta terça-feira (20) em Lisboa e outras cidades de Portugal, horas após a polícia remover acampamentos que faziam parte de um protesto por moradia e prender 55 pessoas.
Os manifestantes acusam o governo de não agir para enfrentar a crise da habitação e de querer facilitar os despejos de inquilinos por meio de uma reforma do mercado de aluguéis.
Em Lisboa, milhares de pessoas se concentraram na praça central Rossio, onde os manifestantes votaram por retornar amanhã com as barracas. "Lisboa não está à venda", diziam cartazes.
Forças de ordem removeram hoje as barracacas em Lisboa e no Porto, confiscando 228 estruturas de acampamento.
No mês passado, o Parlamento português aprovou em primeiro turno uma reforma para acelerar os despejos de inquilinos em caso de inadimplência.
Em Lisboa, a polícia montou um dispositivo na manhã de hoje no centro da capital e a estação de metrô Rossio foi fechada.
Os ocupantes da praça formaram uma corrente humana para tentar atrasar a intervenção policial. Em seguida, houve confrontos entre manifestantes e as unidades de intervenção das forças de segurança, registrados por canais de TV.
No total, 55 pessoas foram detidas e duas ficaram feridas, segundo autoridades locais. "O uso da força foi justificado pelas circunstâncias concretas da intervenção e manteve-se limitado ao mínimo necessário", devido à recusa de alguns manifestantes em deixar o local, afirmou a polícia. "As pessoas detidas foram conduzidas a instalações policiais e serão apresentadas à autoridade judiciária."
No Porto, os próprios manifestantes desmontaram o acampamento, devido às ameaças de intervenção policial.
Os manifestantes portugueses se inspiraram nos acampamentos pelo direito à moradia organizados em Espanha.
M.P.Jacobs--CPN