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Etiópia controla capital do Tigré e rivais regionais pedem solução pacífica
O Exército etíope controla Mekele, capital do estado regional do Tigré, no norte do país, afirmou um jornalista local neste domingo (4), enquanto os rivais regionais da Etiópia pediram no Egito por soluções pacíficas, aflitos com uma possível expansão da guerra.
Após meses de tensões, os combates foram retomados em 23 de setembro no norte da Etiópia. Estes opõem o Exército etíope às forças da Frente de Libertação do Povo do Tigré (TPLF) e às milícias Fano, do estado vizinho de Amhara.
A situação provoca temores de uma retomada da guerra civil de 2020-2022.
Os presidentes de Egito, Somália, Sudão e Eritreia, cujas relações com a Etiópia são complexas, convocaram uma minicúpula para este domingo na cidade egípcia de El Alamein para discutir a questão.
Ao término da reunião, os quatro países fizeram um apelo, em comunicado, para "respeitar a soberania, a unidade e a integridade territorial dos Estados, apoiar suas instituições nacionais, rejeitar a ingerência em seus assuntos internos e resolver as disputas por meios pacíficos".
A Etiópia acusa a Eritreia de apoiar os rebeldes do Tigré, com respaldo do Sudão e do Egito, o que os três países negam.
A Eritreia, que compartilha uma extensa fronteira com a região do Tigré, acusa a Etiópia, país sem litoral, de querer invadi-la para obter acesso ao mar.
O Egito mantém uma relação tensa com a Etiópia por causa da Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD), situada no Nilo Azul.
A TPLF governou a Etiópia durante quase três décadas, até 2018, e, em abril, expulsou a administração regional nomeada pelo governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed, originário da região de Oromia.
Uma contraofensiva permitiu ao Exército etíope avançar pelo território controlado pelos rebeldes. No sábado (3), entrou sem encontrar resistência em Mekele, abandonada horas antes pelas tropas da TPLF.
Neste domingo, as tropas federais patrulhavam Mekele e protegiam as principais instituições, informou um jornalista local à AFP. As comunicações também foram restabelecidas pela primeira vez em mais de uma semana.
"Assumimos o controle de Mekele e continuamos avançando", declarou à AFP o comandante de uma milícia pró-governo.
Os estabelecimentos comerciais permaneceram fechados por temor de saques e vandalismo.
"Não há polícia. Ontem à noite tivemos que nos organizar e assumir nós mesmos a segurança", declarou à AFP um morador que pediu anonimato.
Diante dos últimos reveses, o líder da TPLF, Debretsion Gebremichael, defendeu nesta semana a adoção de táticas de guerrilha.
O conflito entre Adis Abeba e a TPLF começou em novembro de 2020. Após dois anos de guerra, um acordo encerrou os combates no fim de 2022, mas várias de suas principais disposições nunca foram plenamente implementadas.
Segundo a União Africana, mais de 600.000 pessoas morreram na guerra.
D.Avraham--CPN