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Venezuelano baleado pelo ICE no Texas responde a crimes com penas de até 20 anos de prisão
Um cidadão venezuelano baleado por um agente de imigração no Texas foi denunciado pelo governo federal por agressão e outras acusações penais que podem resultar em uma pena de até 20 anos de prisão, informou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos nesta terça-feira (29).
Este caso se soma a outros incidentes recentes registrados durante operações migratórias promovidas pelo presidente, o republicano Donald Trump, criticadas por legisladores democratas e organizações humanitárias pelo uso excessivo da força.
Wilber Garcés, de 28 anos, que permanece detido com uma bala alojada perto da coluna, se apresentou, nesta terça-feira, perante um tribunal federal do Texas, onde a Promotoria o acusou de agressão, resistência, obstrução e perturbação do trabalho da autoridade.
Segundo documentos judiciais, em 20 de setembro, agentes do Escritório de Operações de Execução e Remoção (ERO) do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) detiveram Garcés depois que um juiz de imigração emitiu uma ordem final de deportação contra ele.
Garcés circulava em seu carro enquanto trabalhava como entregador. Segundo a denúncia, durante a detenção, ele entregou sua carteira de motorista aos agentes, que lhe pediram para estacionar e sair do veículo, ordens que ele supostamente ignorou.
Segundo seus acusadores, Garcés retomou a direção e atingiu um dos agentes com o retrovisor. Os policiais o alcançaram e um deles, identificado pelas iniciais L.G., assegurou que Garcés tentou atropelá-lo com seu carro, e por isso disparou sua arma.
O ICE e o Escritório de Investigações de Segurança Interna (HSI) analisam o caso.
Autoridades locais, organizações humanitárias e congressistas do Partido Democrata pediram uma investigação independente.
"Se for declarado culpado, ele pode pegar até 20 anos de prisão" em presídio federal, detalhou o Departamento de Justiça.
Garcés permanece recluso em um centro para imigrantes no Texas. Em conversa por telefone com a imprensa, ele contou ter pedido aos agentes do ICE para que lhe permitissem estacionar seu carro em um local seguro antes de se entregar. Segundo sua versão, ele tentou se deslocar para fazer isso, mas os agentes o impediram, bateram em seu carro e depois ele levou o tiro.
- "Brincando com sua vida" -
"Para surpresa de seus advogados, Wilber Garcés compareceu perante um tribunal federal após ser acusado de agressão, resistência, obstrução e perturbação do trabalho de um agente federal. Seus advogados souberam deste comparecimento devido a uma reunião programada anteriormente que tinham com ele esta manhã, na qual ele não apareceu", disse em um comunicado a equipe liderada pela advogada Kate Lincoln-Goldfinch.
A defesa de Garcés pediu que ele seja libertado e levado a um hospital. Está prevista para esta quarta-feira em San Antonio uma audiência para decidir sobre um pedido de habeas corpus.
"Nove dias depois de levar um tiro do ICE, Wilber ainda tem uma bala alojada nas costas. Os médicos afirmam que ele corre grave risco por causa disso", acrescentou a nota da defesa.
Segundo os advogados, que por fim conseguiram fazer contato com seu cliente, Garcés estava nesta terça-feira "com uma dor considerável, enjoado e precisava de analgésicos, que não lhe foram proporcionados".
"Em vez de lhe dar o atendimento médico do qual precisa para se salvar, o DHS (Departamento de Segurança Interna) e o governo estão brincando com sua vida. Este é mais um exemplo que demonstra a indiferença do governo, assim como não se preocupou com (o mexicano) Lorenzo Salgado Araujo, assassinado em Houston, nem com (o colombiano) Joan Sebastián Guerrero, um jovem pai assassinado no Maine", detalharam os advogados, citando outros incidentes com agentes do ICE registrados este ano.
mav/ad/nn/mvv/ic
P.Schmidt--CPN