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Pressionado pelas eleições, Trump reduz tarifas sobre a carne
O presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) que os Estados Unidos permitirão a importação, sem impostos, de até 300 mil toneladas de carne moída nos próximos 90 dias, em um esforço para reduzir os preços para os consumidores.
O presidente não especificou de quais países viriam as importações, mas indicou que a carne seria vendida com um desconto de 25% sobre os preços de mercado.
Diante do impacto inflacionário das tarifas adicionais, principal arma econômica de Trump, Washington havia suspendido as tarifas que afetavam diversos produtos agrícolas brasileiros, como carne bovina, café e tomate.
O poder de compra é uma grande preocupação para os americanos, que se aproximam das eleições de meio de mandato em novembro.
"Enquanto trabalhamos para reconstruir este gado e ajudar nossos pecuaristas, pelos próximos 90 dias os Estados Unidos permitirão a importação de até 300 mil toneladas de carne moída, sem impostos, fora da cota", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Na terra dos hambúrgueres, a carne bovina é um dos produtos cujos preços mais preocupam os consumidores. Em maio, um bife custava 15% a mais do que no ano anterior, de acordo com os dados oficiais da inflação.
"Este acordo reduzirá os preços para os americanos", declarou Trump.
No final de julho, o Departamento da Agricultura anunciou a retomada das importações de gado mexicano, mais de um ano após a suspensão devido a um desentendimento sobre o combate a um parasita.
O México exportou pouco mais de um milhão de cabeças de gado para os Estados Unidos em 2024, segundo estimativas de ambos os governos.
- Controle estrangeiro -
Foi principalmente contra os gigantes da indústria da carne que Trump intensificou a pressão, há vários meses, acusando-os de práticas anticompetitivas que prejudicam tanto os pecuaristas quanto os consumidores americanos.
O Departamento da Justiça lançou uma investigação no final de 2025 contra as quatro maiores empresas do setor, que controlam 85% do mercado: JBS, Cargill, Tyson Foods e National Beef.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, aproveitou a oportunidade para lembrar a todos que essas empresas estavam "nas mãos de interesses estrangeiros" — investidores brasileiros no caso da JBS e da National Beef — "ou sujeitas a significativo controle estrangeiro".
- Causa e consequência -
Os Estados Unidos estão entre os maiores consumidores de carne bovina do mundo, com uma projeção de consumo de pouco mais de 23 kg per capita em 2025, segundo dados da OCDE.
Mas os preços da carne bovina dispararam desde a pandemia de covid-19, subindo de menos de 4 dólares (21,90 reais na cotação da época) por libra (pouco menos de 500 g) no início de 2021 para quase 6,90 dólares em julho deste ano (35,78 reais, na cotação atual), de acordo com dados do Federal Reserve dos EUA (Fed, o banco central americano). Em um ano, o aumento foi de cerca de 10%.
Os preços refletem a pressão sobre a oferta, com os rebanhos bovinos em seu nível mais baixo desde a década de 1950, mas também o aumento dos custos, principalmente de energia, insumos e transporte, que pressionam as finanças dos agricultores americanos.
Somando-se a esse diagnóstico estão as consequências dos fenômenos climáticos, com uma seca persistente nos últimos anos nos principais estados produtores dos Estados Unidos, o que complica a alimentação dos animais.
No início deste ano, Donald Trump também assinou um decreto que favorecia a entrada de mais carne bovina argentina nos Estados Unidos, aumentando as quotas de importação isentas de tarifas.
M.García--CPN