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Milhares de pessoas protestam na Argentina por endividamento dos lares
Milhares de argentinos foram às ruas nesta quinta-feira (20) em Buenos Aires para pedir medidas de alívio diante do endividamento dos lares, que atingiu seu maior nível em 20 anos durante o governo atual.
Mais de 5,8 milhões de argentinos, ou 12,5% da população, estão inadimplentes, um nível inédito desde a grande crise de 2001, segundo dados do Banco Central.
"Sou mais um argentino com dívidas, autônomo, e a verdade é que isso se torna cada vez mais difícil de suportar", contou à AFP o advogado Mariano Almeyda, 47.
Os manifestantes dirigiam suas reclamações contra o presidente Javier Milei e suas políticas de austeridade e desregulamentação das taxas de juros. "O governo tem que abandonar essa visão limitada e começar a enxergar a realidade do que estamos sofrendo", disse Almeyda.
O protesto teve o apoio das principais centrais sindicais (CGT e CTA) e de partidos de esquerda. Ele ocupou parte da Praça de Maio, situada junto ao Ministério da Economia, que foi protegido por grades e policiais.
Os manifestantes exigiam a intervenção do Estado para reestruturar ou gerir o endividamento excessivo dos lares e regular os juros exorbitantes cobrados fora do sistema financeiro formal, ao qual recorrem por falta de crédito bancário. Em entrevista recente, Milei disse que a dívida é "um assunto entre privados", no qual o Estado não deve intervir.
"Convocamos hoje o Ministério da Economia contra um modelo que empurra as famílias argentinas a se endividar para comer, pagar o aluguel e arcar com os serviços básicos", publicou a CGT no X, após a passeata.
M.García--CPN