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Cofundador dos sorvetes Ben & Jerry's renuncia devido a crise de 'valores' na empresa
O cofundador da empresa de sorvetes Ben & Jerry's renunciou após afirmar que sua companhia, conhecida por seu ativismo social, perdeu "a independência para seguir" seus "valores" sob a propriedade da gigante britânica Unilever.
O anúncio de Jerry Greenfield segue o fracasso da empresa em 2022 em impedir que a Unilever vendesse seus sorvetes em assentamentos judaicos na Cisjordânia, o que, segundo a Ben & Jerry's, contrariaria seus valores.
Greenfield afirmou que "não podia mais, com plena consciência, e após 47 anos, continuar sendo um empregado" da empresa com sede em Vermont, segundo um comunicado publicado no X pelo cofundador Ben Cohen na noite de terça-feira (16).
A marca foi fundada por dois amigos de escola em 1978 e adquirida pela Unilever em 2000. Agora pertence à Magnum Ice Cream Company, uma subsidiária do conglomerado britânico.
Greenfield disse que sua empresa "foi silenciada, marginalizada por medo de incomodar aqueles que estão no poder" no momento em que o governo dos Estados Unidos está "atacando os direitos civis, os direitos de voto, os direitos dos imigrantes, das mulheres e da comunidade LGBTQ".
"É profundamente decepcionante chegar à conclusão de que essa independência, a própria base da nossa venda para a Unilever, foi perdida", acrescentou.
Um porta-voz da Magnum apontou que a empresa continua comprometida com a missão e o legado da Ben & Jerry's.
"Não concordamos com a perspectiva de (Greenfield) e buscamos envolver ambos os cofundadores em uma conversa construtiva sobre como fortalecer a posição poderosa baseada em valores da Ben & Jerry's no mundo", manifestou o porta-voz.
Em maio, Cohen, de 74 anos, foi retirado de uma audiência no Senado americano após gritar que "o Congresso paga bombas para matar crianças em Gaza", assustando o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr.
Crítico de longa data da política israelense, Cohen se juntou a figuras judaicas proeminentes no ano passado em uma carta aberta de oposição ao lobby pró-Israel AIPAC.
A Unilever está em processo de separar a Magnum, que deve iniciar suas operações independentes em meados de novembro.
M.García--CPN