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UE impõe multa bilionária à Google, apesar das ameças de Trump
Após uma semana de adiamentos e ignorando as ameaças de Donald Trump, a Comissão Europeia anunciou, nesta sexta-feira (5), que vai impor à gigante tecnológica Google uma multa de 2,95 bilhões de euros (18,75 bilhões de reais). A empresa anunciou que vai recorrer.
O Executivo europeu considerou que a 'big tech' americana adotou práticas abusivas em seu sistema de publicidade online.
Esta sanção, conhecida como Adtech, que a Google anunciou imediatamente que vai contestar, era muito aguardada. Em 2023, a Comissão já tinha ameaçado exigir a separação de parte das atividades do grupo no campo da publicidade online, algo que, por enquanto, decidiu não fazer.
O anúncio da multa contra a gigante americana foi adiado no início da semana, em um contexto de tensões entre a União Europeia e os Estados Unidos, como confirmou uma fonte da Comissão à AFP na quarta-feira (3).
Em 26 de agosto, Donald Trump atacou energicamente os países ou organizações que regulam o setor tecnológico, ameaçando-os com tarifas e restrições à exportação.
Embora não tenha mencionado diretamente a UE, o bloco possui de fato o arsenal jurídico mais poderoso do mundo para regular o setor digital, o que alimenta os debates na Europa sobre o risco de represálias em caso de sanções contra empresas americanas.
A UE respondeu que tinha "o direito soberano" de regular a tecnologia.
- "Injustificada" -
Em uma declaração à AFP, a Google criticou duramente a sanção da Comissão Europeia.
"A decisão da Comissão Europeia sobre nossos serviços Adtech é ruim e vamos recorrer. Ela nos impõe uma multa injustificada e mudanças que afetarão milhares de empresas europeias, dificultando sua lucratividade", declarou Lee-Anne Mulholland, vice-presidente de assuntos regulatórios da Google.
Esta é a terceira multa imposta esta semana à Google, filial da Alphabet.
Na quarta-feira, o grupo foi condenado nos Estados Unidos a pagar 425,7 milhões de dólares (cerca de 2,3 bilhões de reais) em perdas e danos a quase 100 milhões de usuários por violar sua privacidade, de acordo com a decisão de um júri de um tribunal federal de San Francisco, confirmada pela gigante americana.
E, na quinta-feira (4), recebeu uma multa recorde de 325 milhões de euros (cerca de 2 bilhões de reais), imposta pela autoridade francesa de controle da privacidade (Cnil) por descumprimentos nos temas de privacidade e cookies.
No entanto, o grupo obteve, na terça-feira (2), uma importante vitória judicial nos Estados Unidos: um juiz de Washington lhe impôs requisitos rigorosos sobre o intercâmbio de dados com o objetivo de restabelecer o equilíbrio na concorrência nas buscas online, mas sem obrigar a Google a ceder o Chrome, seu navegador, como exigia o governo americano.
A.Zimmermann--CPN