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Presidente do Fed sinaliza para corte de juros nos EUA
O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Jerome Powell, deixou a porta aberta, nesta sexta-feira (22), à possibilidade de uma redução das taxas de juros, em um momento em que o banco central enfrenta crescente pressão do presidente Donald Trump.
No ano passado, o presidente do Fed utilizou seu discurso de abertura no Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole para indicar que havia chegado o momento de reduzir as taxas de juros.
Desta vez, no entanto, o cenário é mais nebuloso.
Powell, que deixará seu cargo em maio de 2026, enfrenta constantes ataques de Trump para que o Fed reduza as taxas, enquanto os dados econômicos o levam a adotar uma abordagem mais cautelosa.
O chefe do Fed advertiu nesta sexta-feira que os riscos de uma maior inflação e do enfraquecimento do mercado de trabalho criam uma "situação desafiadora".
"Os riscos de queda para o emprego estão aumentando", declarou Powell em seu aguardado discurso, no qual alertou que esses desafios poderiam se materializar rapidamente na forma de demissões.
"Embora o mercado de trabalho pareça estar em equilíbrio, trata-se de um equilíbrio curioso que resulta de uma desaceleração acentuada tanto na oferta quanto na demanda de trabalhadores", observou.
Acrescentou que "os efeitos das tarifas sobre os preços ao consumidor agora são claramente visíveis" e podem se agravar nos próximos meses.
Há uma grande incerteza, segundo ele, sobre o momento e a magnitude do efeito que as tarifas terão.
Mas advertiu: "Não permitiremos que um aumento pontual no nível de preços se transforme em um problema de inflação persistente".
Diante desses desafios, Powell disse que as perspectivas econômicas e os riscos em mudança enfrentados pelo Fed "poderiam justificar um ajuste em sua postura política", ou seja, um corte nas taxas de juros.
- "Posição difícil" -
"O Fed está em uma posição difícil, já que a inflação permanece acima da meta e os riscos de queda para o mercado de trabalho estão se intensificando", declarou Ryan Sweet, economista-chefe para os Estados Unidos da Oxford Economics.
"Se as taxas serão ou não reduzidas em setembro provavelmente dependerá de dados que Powell não terá em mãos" no simpósio, declarou Sweet à AFP antes do discurso do chefe do Fed.
O presidente Trump não tem escondido seu desdém por Powell, a quem chamou de "idiota" e criticou não apenas por sua política monetária, mas também por supostos custos excessivos na renovação da sede do Fed em Washington.
Embora tenha desistido de destituí-lo, nesta semana pediu a renúncia da governadora do Fed Lisa Cook, por acusações de fraude hipotecária. Na sexta-feira, continuou a pressão, advertindo que, se não renunciasse, a demitiria.
- Empregos, riscos de inflação -
O Fed, que realizará sua próxima reunião de política monetária em meados de setembro, manteve as taxas de juros estáveis em uma faixa entre 4,25% e 4,50% desde sua última redução em dezembro.
O Federal Reserve costuma manter as taxas de juros em um nível alto para controlar de forma sustentável a inflação.
O indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve subiu 2,6% em junho em relação ao ano anterior, e 2,8% excluindo os voláteis segmentos de alimentos e energia.
Ambos os números estão acima da meta de longo prazo do Federal Reserve, de 2%.
No entanto, surgiram fragilidades no mercado de trabalho, o que poderia exigir taxas mais baixas para estimular a economia.
Dados oficiais publicados neste mês mostraram que a contratação de mão de obra em maio e junho foi muito menor do que inicialmente estimado.
A diminuição do emprego levou dois governadores do Fed, Christopher Waller e Michelle Bowman, a votarem contra a decisão geral de julho de manter as taxas de juros estáveis pela quinta reunião consecutiva.
Ambos preferiam reduzir as taxas em 25 pontos base. Foi a primeira vez desde 1993 que dois governadores do Fed discordaram.
Por enquanto, a ferramenta FedWatch do CME Group mostra que o mercado vê uma probabilidade de 75,6% de que o Fed reduza as taxas em setembro.
P.Gonzales--CPN