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UE prepara represálias contra tarifas dos EUA, mas ainda confia em acordo
A União Europeia (UE) decidiu, nesta quinta-feira (24), demonstrar sua força em sua resposta preparada às tarifas planejadas pelos Estados Unidos, mas insistiu que permanece confiante na possibilidade de um acordo negociado.
Um porta-voz da Comissão Europeia, o braço Executivo da UE, afirmou nesta quinta-feira que um acordo entre Bruxelas e Washington "está próximo" para evitar uma escalada de tarifas com consequências imprevisíveis.
"No que diz respeito a um acordo ou a um resultado, acreditamos que tal resultado esteja próximo", disse o porta-voz comercial da Comissão Europeia, Olof Gill, nesta quinta-feira.
No entanto, esta declaração foi feita logo após 26 dos 27 países da UE apoiarem um pacote de medidas de retaliação contra os Estados Unidos caso as negociações fracassem.
Com a oposição da Hungria, os demais países do bloco apoiaram um pacote de represálias maciço no valor de cerca de 93 bilhões de euros, o equivalente a cerca de 109 bilhões de dólares (R$ 605 bilhões).
Essas medidas retaliatórias contra as tarifas de 30% que os EUA pretendem impor aos produtos da UE entrariam em vigor em 7 de agosto caso as negociações não produzam um resultado positivo.
Este pacote inclui tarifas sobre produtos aeronáuticos, químicos e farmacêuticos, como parte de uma longa lista.
Além disso, segundo fontes diplomáticas, a UE também trabalha em um conjunto de medidas de retaliação específicas para o setor de serviços, segmento que pode atingir duramente as gigantes da tecnologia e o setor bancário.
O pacote aprovado nesta quinta-feira inclui medidas de resposta previamente definidas, no valor aproximado de 21 bilhões de euros (R$ 136 bilhões), em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos ao aço e ao alumínio da UE.
- A bazuca como dissuasor -
As medidas de retaliação da UE visam responder a uma tarifa geral de 30% sobre produtos americanos, segundo depoimentos concordantes de vários diplomatas.
A ideia é que a definição deste pacote de contramedidas sirva "para apoiar as negociações, não para aumentar as tensões", disse a fonte diplomática.
Desde que o presidente americano, Donald Trump, anunciou a nova política comercial de seu país, baseada em tarifas pesadas sobre produtos importados, a UE se comprometeu a negociar uma solução para evitar uma guerra comercial.
O comissário europeu para o Comércio e negociador-chefe da UE, Maros Sefcovic, fez várias viagens a Washington e mantém contato constante com autoridades americanas para encontrar um caminho.
No entanto, países influentes da UE, como Alemanha e França, pressionam o bloco a adotar uma resposta firme às ameaças tarifárias e comerciais dos EUA.
A UE possui uma ferramenta conhecida em Bruxelas como "a bazuca", formalmente chamada de Mecanismo Anticoerção, adotada em 2023 e com efeitos devastadores.
A UE considera o Mecanismo uma ferramenta de "dissuasão" e lhe concede o poder de impor tarifas sobre produtos e serviços, e até mesmo impor restrições ao acesso de países terceiros ao mercado europeu.
Gill afirmou nesta quinta-feira que o Mecanismo é o "dissuasor mais poderoso" da UE e, desde sua adoção, nunca foi efetivamente ativado.
H.Cho--CPN