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Ministra francesa visita Budapeste e Viena em busca de apoio contra acordo UE-Mercosul
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, esteve nesta sexta-feira (16) em Budapeste, onde seu homólogo lhe assegurou a oposição da Hungria ao atual acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, segundo informou à AFP.
Ela deveria, em seguida, seguir para Viena, com o objetivo de formar uma minoria de bloqueio ao acordo dentro da União Europeia.
"A ideia é ir aos países onde acreditamos poder obter apoio na oposição" a esse texto, explicou. "Em Budapeste, me reuni longamente com o ministro da Agricultura, István Nagy, e com o ministro das Relações Exteriores e do Comércio Exterior, Péter Szijjártó".
"Sobre o tema do Mercosul, pude constatar uma convergência muito ampla de pontos de vista (...) Compartilhamos a mesma análise sobre as consequências negativas para a agricultura de nossos dois países e, além disso, para a agricultura europeia, já que os volumes de carne importada dos países do Mercosul [boi, frango] desestabilizariam nossas cadeias produtivas".
O chefe da diplomacia húngara reiterou a oposição de seu país. "Concordamos que, em sua forma atual, esse acordo representaria um risco enorme para a agricultura europeia", disse Szijjártó após o encontro.
"Devem existir garantias de que a agricultura europeia não será, de forma alguma, vítima de qualquer acordo internacional", acrescentou em seu comunicado.
A França se opõe a esse texto, ao contrário da Alemanha, que defende uma ratificação "rápida".
Genevard deve receber seu homólogo alemão na segunda-feira em Paris.
Assinado com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, o acordo visa permitir à UE exportar mais automóveis, máquinas e bebidas alcoólicas. Em contrapartida, facilitaria a entrada de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos.
A Comissão Europeia poderá apresentar o texto ao Parlamento antes do fim do verão, segundo um porta-voz. Para formar uma minoria de bloqueio, são necessários ao menos quatro Estados que representem mais de 35% da população da UE.
S.F.Lacroix--CPN