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Leão XIV insiste em seu compromisso social em encontro com embaixadores
O papa Leão XIV reafirmou nesta sexta-feira (16) seu compromisso social, defendeu a luta contra as "desigualdades globais" e as "condições indignas de trabalho", e citou a própria história migratória, durante seu primeiro encontro com os embaixadores credenciados no Vaticano.
O novo pontífice, nascido nos Estados Unidos e naturalizado peruano, fez um apelo por "remediar as desigualdades globais, que traçam sulcos profundos de opulência e indigência entre continentes, países e, inclusive, dentro das próprias sociedades".
"A Santa Sé não pode se eximir de fazer sentir sua própria voz diante dos numerosos desequilíbrios e injustiças que conduzem, entre outras coisas, a condições indignas de trabalho e a sociedades cada vez mais fragmentadas e conflituosas", acrescentou o papa, durante o encontro na Sala Clementina do Palácio Apostólico.
O sucessor de Francisco voltou a explicar que escolheu seu nome em uma referência a Leão XIII, o papa da primeira grande encíclica social, a 'Rerum novarum'.
O texto, publicado em 1891, esboça a doutrina social da Igreja no contexto da primeira grande revolução industrial.
Durante o encontro, o papa se apresentou como um "cidadão, descendente de imigrantes, que por sua vez emigrou".
Robert Francis Prevost, filho de um pai de origem italiana e francesa e mãe de origem espanhola, pediu proteção para "a dignidade de cada pessoa, da criança por nascer até o idoso, do enfermo ao desempregado, sejam estes cidadãos ou imigrantes".
Em seu discurso, ele destacou a "família, fundada sobre a união estável entre o homem e a mulher", e defendeu as posições tradicionais da Igreja Católica sobre o casamento e o aborto.
Leão XIV, que viveu mais de 20 anos no Peru, lembrou sua passagem pela "América do Norte, América do Sul e Europa", uma trajetória que evidencia "esta aspiração de transcender os confins para encontrar-se com pessoas e culturas diferentes".
O papa, de 69 anos, também citou os "desafios que caracterizam nosso tempo" e citou a causa ecológica pela primeira vez, antes de mencionar novamente o tema da Inteligência Artificial.
O americano defendeu ainda "revitalizar a diplomacia multilateral", o desarmamento, o diálogo inter-religioso e "o pleno respeito da liberdade religiosa em cada país".
A Santa Sé mantém relações diplomáticas com 184 países, incluindo quase 90 que têm representação oficial em Roma, assim como com a União Europeia e a Ordem Soberana de Malta.
St.Ch.Baker--CPN