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Princesa de Astúrias premia compromisso contra autoritarismo do historiador britânico Garton Ash
O historiador e ensaísta britânico Timothy Garton Ash foi premiado nesta terça-feira (26), na Espanha, com o Prêmio Princesa de Astúrias de Ciências Sociais por sua firme defesa dos valores democráticos diante do autoritarismo e do populismo.
"Suas publicações e intervenções públicas unem o rigor a uma defesa apaixonada e lúcida dos valores democráticos e alertam contra os perigos que ameaçam a democracia liberal, como o autoritarismo ou o populismo", explicou o júri em sua decisão.
Pensador "excepcional e inspirador", ele mostra sempre seu compromisso com "a unidade e a força do projeto europeu", o que o torna "um autor imprescindível de nosso tempo", acrescentou a decisão, lida em Oviedo, capital das Astúrias.
Os Prêmios Princesa de Astúrias, instituídos em 1981 e considerados os mais prestigiosos do mundo ibero-americano, são dotados de 50.000 euros, 58.000 dólares (R$ 290.000), e uma escultura criada pelo falecido artista catalão Joan Miró.
Nascido em Londres em 1955 e graduado em História Moderna pelo Exeter College da Universidade de Oxford, onde é professor de Estudos Europeus desde 2004, Garton Ash foi selecionado entre 36 candidaturas de 12 nacionalidades que disputavam o prêmio neste ano.
Garton Ash disse se sentir "honrado" com o prêmio, que, em sua opinião, recompensa "a comunidade intelectual da Europa - e de outros lugares - de que precisamos mais do que nunca nestes tempos difíceis para nosso continente e para a busca da verdade", segundo uma declaração divulgada pela Fundação Princesa de Astúrias.
Considerado um dos mais lúcidos analistas da história europeia recente, ele costuma unir história, ciência política e jornalismo em textos que combinam análise profunda com linguagem simples.
Nos anos 1980 e 1990, dedicou-se principalmente a escrever para vários jornais sobre o fim do comunismo em países da Europa central e, mais recentemente, abordou "os riscos da globalização, do populismo e do terrorismo" para as democracias liberais "em um contexto pós-11 de Setembro", indicou a Fundação Princesa de Astúrias em um comunicado.
- O quinto prêmio de 2026 -
O prêmio de Ciências Sociais é o quinto dos oito desta edição, concedidos anualmente, a ritmo de um por semana, pela Fundação Princesa de Astúrias.
No ano passado, nesta categoria, o reconhecimento foi para o sociólogo americano Douglas Massey, criador de um modelo teórico sobre as migrações humanas em tempos de globalização.
Em outras edições, também foram premiados o arqueólogo mexicano Eduardo Matos Moctezuma, o sociólogo cubano-americano Alejandro Portes, a historiadora britânica Mary Beard e o economista americano Paul Krugman.
Neste ano, já foram anunciados o Princesa de Astúrias das Artes, concedido à cantora americana Patti Smith, e o de Comunicação e Humanidades, que distinguiu o estúdio de animação japonês Studio Ghibli, cofundado por Hayao Miyazaki.
Também foram concedidos o prêmio de Pesquisa Científica, que homenageou os químicos britânicos David Klenerman e Shankar Balasubramanian e o biofísico francês Pascal Mayer, e, na semana passada, o de Cooperação Internacional, para o cofre global de sementes de Svalbard.
Os prêmios, que levam o nome do título da herdeira do trono da Coroa espanhola, a princesa Leonor, são entregues por ela e pelos reis Felipe VI e Letizia em outubro, em uma cerimônia em Oviedo.
H.Müller--CPN