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Príncipe Harry expressa nos tribunais sua 'paranoia' por práticas de tabloide
O príncipe Harry expressou sua "paranoia" frente às práticas do Daily Mail, nesta segunda-feira (19), em Londres, no primeiro dia do julgamento de seu processo contra o tabloide, que ele acusa de obter informações sobre sua vida privada de forma ilegal.
Harry, o cantor Elton John e outras cinco pessoas apresentaram uma ação contra a Associated Newspapers Ltd (ANL), editora do Daily Mail e do The Mail on Sunday.
O príncipe, de 41 anos, compareceu nesta segunda ao primeiro dia do julgamento, que deverá durar nove semanas, no Tribunal Superior de Londres.
Segundo seu advogado, David Sherborne, houve "um recurso manifesto, sistemático e continuado à coleta ilegal de informações tanto no Daily Mail como no Mail on Sunday".
Os advogados dos demandantes indicaram que os alegados atos ilegais foram praticados entre 1993 e 2011, embora alguns possam ter ocorrido até 2018.
Estes tabloides contrataram detetives particulares para escutar chamadas telefônicas e obter informação privada, como faturas telefônicas detalhadas e históricos médicos, além de extratos bancários.
- Último processo de Harry -
Segundo documentos escritos pelos advogados do príncipe, estas práticas "perturbaram profundamente" Harry.
Sua ação judicial contra a ANL se refere ao conteúdo de 14 artigos publicados entre 2001 e 2013.
"Ficava com a impressão de que cada um dos meus gestos, cada um dos meus pensamentos ou cada um dos meus sentimentos era vigiado apenas para que o Mail ganhasse dinheiro", disse Harry, citado nesses documentos da sua defesa.
De acordo com ele, as intrusões do tabloide na sua vida privada o tornaram "extremamente paranoico" e o isolaram.
O cantor Elton John e o seu marido, David Furnish, tiveram, por sua vez, “a sensação de que o seu lar, bem como a segurança dos seus filhos e dos seus entes queridos, haviam sido violados”, apontam os documentos.
As conclusões apresentadas por seu advogado enfatizam a "indignação" sentida pelo casal, que acusa a ANL de ter roubado a certidão de nascimento do seu filho.
Segundo o calendário das audiências, Harry irá depor na quinta-feira, enquanto Elton John deverá fazê-lo no início de fevereiro.
Todas as acusações são qualificadas como "absurdas" pelo grupo editorial, cuja defesa tomará a palavra a partir de terça-feira.
Em documentos judiciais, o advogado da ANL, Antony White, afirmou que as ações foram apresentadas tarde demais. "É notório constatar que nenhum dos artigos foi objeto de queixa no momento da sua publicação", escreveu.
A defesa sustenta que os vazamentos de informações vinham dos círculos sociais das personalidades.
Segundo pessoas de seu entorno, trata-se do último processo movido pelo príncipe contra editoras de tabloides e suas práticas ilícitas.
Harry, que responsabiliza os paparazzi pela morte de sua mãe, Diana, em 1997, em Paris, não esconde sua animosidade em relação à poderosa imprensa sensacionalista britânica.
Em 2023, ele se tornou o primeiro membro da realeza britânica a depor em um tribunal em mais de um século, ao testemunhar em uma ação contra o Mirror Group Newspapers (MGN).
- Outros litígios contra tabloides -
O Tribunal Superior de Londres decidiu que Harry foi vítima de interceptação teefônica por jornalistas que trabalhavam para esse grupo e determinou uma indenização de 140.600 libras (cerca de 188 mil dólares, aproximadamente R$1,01 milhão) por perdas e danos.
Em janeiro de 2025, Harry chegou a um acordo financeiro com o editor Rupert Murdoch.
O News Group Newspapers (NGN), de Murdoch, apresentou desculpas a Harry "pela espionagem telefônica, vigilância e uso indevido de informações privadas por jornalistas e investigadores privados" contratados pelo grupo, informou o advogado do príncipe.
Durante sua última visita ao Reino Unido, em setembro, Harry se reuniu com o pai, o rei Charles III, em uma tentativa de retomar contato com a família.
Mas, segundo a imprensa britânica, desta vez ele não pretende ver o pai, de 77 anos.
De acordo com a imprensa britânica, Harry mantém atualmente contato regular com o pai, o que não parece ocorrer com o irmão William, filho mais velho de Charles III e herdeiro do trono, com quem as relações são mais tensas.
H.Meyer--CPN