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Espanha prevê mais 480 eventos para recordar morte do ditador Franco
O governo de esquerda espanhol anunciou, nesta quarta-feira (19), 480 novos eventos em 2025 para recordar a morte do ditador Francisco Franco há 50 anos e o caminho que se abriu para a restauração da democracia.
Os concertos, conferências, exposições e outras iniciativas serão realizados após mais de 150 eventos já celebrados este ano no país sob o lema "Espanha em liberdade".
Franco morreu em 20 de novembro de 1975, aos 82 anos, após governar a Espanha com mão de ferro durante quase quatro décadas.
As eleições democráticas ocorreram em 1977 e, no ano seguinte, em 6 de dezembro, os espanhóis aprovaram uma nova Constituição em um referendo, em uma data que é lembrada como feriado.
O ministro da Memória Democrática, Ángel Víctor Torres, indicou que o governo optou por não realizar um "ato central" na quinta-feira, quando se completam 50 anos da morte de Franco, em favor de "celebrar a recuperação democrática (...) durante todo o ano".
"Não celebramos a morte do ditador, celebramos o princípio do fim" da ditadura, afirmou Torres em uma coletiva de imprensa.
Os eventos buscam destacar a transformação econômica, social e política da Espanha a partir de então, bem como prestar homenagens aos que lutaram por ela.
Torres afirmou que os eventos continuarão até 2026, e até mesmo depois, e muitos buscarão alcançar os jovens nascidos após o fim da ditadura e os "anos da ausência de liberdade".
O governo também trabalha em um jogo de videogame para que os usuários compreendam "quais são as atitudes pessoais e políticas que ameaçam a democracia", explicou seu ministério em um comunicado.
Segundo uma pesquisa de outubro do instituto nacional CIS, mais de 20% dos espanhóis considerou que a ditadura foi "boa" ou "muito boa", enquanto 65,5% a descreveram como "ruim" ou "muito ruim".
Franco chegou ao poder ao vencer a Guerra Civil, iniciada em 1936 quando liderou um golpe de Estado contra o governo republicano de esquerda. Seu governo trouxe censura, repressão de minorias, doutrinação e a execução de dissidentes.
O.Hansen--CPN