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Al Fayed destruiu 'muitas vidas', afirma advogado de mulheres que denunciaram estupros
"Muitas vidas foram destruídas" por Mohamed Al Fayed, falecido proprietário da luxuosa loja londrina de departamentos Harrods, disse à AFP o advogado que representa 27 mulheres que alegaram ter sido vítimas de estupro e agressão sexual pelo magnata.
Após a exibição de uma investigação da BBC em setembro, mais de 100 mulheres declararam terem sido vítimas do egípcio, que também foi dono do clube de futebol inglês Fulham e do Hotel Ritz em Paris.
Al Fayed, que viveu em Londres por muito tempo, morreu aos 94 anos em 2023, sem ter sido processado, apesar de várias queixas apresentadas à polícia.
A maioria das mulheres, uma com apenas 15 anos na época dos fatos denunciados, eram jovens funcionárias da Harrods, de propriedade de Al Fayed entre 1985 e 2010.
Entre as 27 mulheres que representa, o advogado Richard Meeran defende cinco que trabalharam como comissárias de bordo para sua companhia aérea privada, a Fayair, ou como babás.
Essas mulheres foram vítimas de "graves agressões e assédio sexual", disse o advogado.
Assim como outras vítimas, "todas tiveram que se submeter a exames ginecológicos invasivos e análises de sangue completamente inapropriados para os trabalhos que realizavam", acrescenta Meeran.
Segundo o advogado, esses controles aparentemente tinham como objetivo garantir que não tinham doenças sexualmente transmissíveis.
As denunciantes anunciaram, por meio de seu advogado, o início de uma ação civil por perdas e danos.
- Investigação pública -
A indenização é um elemento "importante" do processo legal, mas a justiça "deve ir além", explica o advogado, observando que algumas vítimas querem uma investigação pública sobre agressões que duraram mais de 30 anos.
"Muitas vidas foram destruídas. Seus relacionamentos foram destruídos. Para muitas, seus empregos também foram afetados", diz Meeran.
Para o advogado, tanto a polícia quanto os médicos que realizaram os exames ginecológicos nas jovens participaram de "uma operação de acobertamento".
"Este caso não tem precedentes. Sua magnitude, sua duração e o fato de ter sido encoberto por tanto tempo são surpreendentes", acrescentou o advogado, denunciando que "havia todo um sistema que permitiu que isso acontecesse".
Quando foi divulgado em setembro, o caso foi comparado por outros advogados que representam vítimas aos que envolvem Harvey Weinstein e Jeffrey Epstein nos Estados Unidos.
Muitas denunciantes também foram submetidas a "ameaças e intimidações", lembra o advogado.
Uma figura carismática e generosa entre os poderosos, Al Fayed construiu uma fortuna estimada em 2 bilhões de dólares (11 bilhões de reais) pela revista Forbes, principalmente com o transporte marítimo e imóveis.
O magnata egípcio era pai de Dodi Al Fayed, que morreu em 1997 em um acidente de trânsito em Paris, junto com a princesa Diana de Gales.
Recentemente, a Harrods anunciou o lançamento de um sistema de indenizações para supostas vítimas que tinham "um vínculo suficientemente próximo" com a loja de departamentos.
As mulheres indenizadas poderão receber até 385.000 libras (cerca de 2,9 milhões de reais) e terão um ano para apresentar sua solicitação.
A.Leibowitz--CPN