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Incêndio abala COP30 em sua reta final
A sede da COP30 na cidade de Belém, a capital do Pará, foi reaberta nesta quinta-feira (20), horas depois de um incêndio em seu interior que obrigou a evacuação de milhares de pessoas e a suspensão das negociações em sua reta final.
Após as inspeções de segurança, o recinto "voltou a funcionar", indicou em comunicado a presidência brasileira da 30ª conferência climática da ONU.
Um jornalista da AFP constatou que o local do incêndio, onde estão situados os pavilhões dos países, permanecia fechado após a reabertura das portas.
Algumas pessoas entraram no recinto do Parque da Cidade de Belém para recuperar os pertences que haviam deixado durante a evacuação.
As autoridades não informaram até agora sobre as causas do incêndio.
A presidência da COP informou que as sessões plenárias serão retomadas nesta sexta, quando a conferência deve ser concluída com a participação de quase 200 países e cerca de 43 mil pessoas credenciadas.
O fogo teve início na área de acesso restrito onde acontece a conferência climática da ONU, que foi palco de três incidentes em poucos dias. As chamas abriram um buraco no teto, observou um jornalista da AFP.
A fumaça se espalhou dentro e fora do local, causando um movimento de pânico inicial. Cerca de 20 pessoas foram tratadas devido a intoxicação por fumaça, segundo os organizadores.
- 'Estresse emocional'-
"Houve pessoas em estado de estresse emocional", disse Kimberly Humphrey, especialista em medicina de emergências e participante da COP.
Antes da chegada dos bombeiros, equipes da segurança do governo brasileiro e da ONU recorreram a extintores para tentar conter o fogo.
Uma testemunha do incêndio disse à AFP que nenhum alarme foi acionado. "Nunca antes [em uma COP] houve um incêndio dessa magnitude, que exigisse uma evacuação em grande escala", destacou Alden Meyer, analista do think tank E3G.
Vários participantes da COP30 relataram que sistemas de fiação elétrica já haviam causado problemas nos últimos dias. A AFP também havia observado infiltrações após fortes chuvas na cidade.
"As dificuldades operacionais pouco antes da COP sugeriam que um incidente desse tipo poderia acontecer", disse à AFP uma fonte da organização, que não quis ser identificada.
- 'Em qualquer lugar' -
O ministro do Turismo, Celso Sabino, disse na TV que, após a perícia, se saberá o que causou o incidente, se foi um curto-circuito ou um celular carregando.
O incêndio "poderia acontecer em qualquer lugar do planeta", ressaltou.
A presidência brasileira da COP recebeu na semana passada uma queixa da ONU, depois que um grupo indígena forçou o dispositivo de segurança durante um protesto.
No documento, o chefe da ONU para o Clima, Simon Stiell, reclamava da segurança, mas também de vazamentos de água, que, segundo o governo brasileiro, foram corrigidos.
Dias depois, outro grupo indígena conseguiu se reunir com autoridades brasileiras, após bloquear o acesso ao centro de negociações.
- 'Atrasará o processo' -
"Isto vai atrasar o processo" em "um momento crucial" de tomada de decisões, advertiu o delegado da Indonésia Windyo Laksono, do lado de fora do recinto.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou-se hoje confiante na possibilidade de um compromisso para responder às necessidades de adaptação às mudanças climáticas dos países em desenvolvimento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a incluir ontem na agenda a questão sensível do abandono dos combustíveis fósseis. Lula promove um "mapa do caminho" para alcançar esse objetivo que permita a cada país avançar em seu próprio ritmo.
Segundo um negociador, que preferiu não ser identificado, China, Índia, Arábia Saudita, Nigéria e Rússia se opuseram hoje a essa alternativa, durante as consultas.
P.Gonzales--CPN