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Presidente da região espanhola de Valência renuncia um ano após enchentes devastadoras
O presidente da região espanhola de Valência, Carlos Mazón, anunciou sua renúncia nesta segunda-feira (3), um ano após as enchentes que mataram 229 pessoas e depois de ser insultado pelas famílias das vítimas por sua ausência durante a gestão da catástrofe de 2024.
"Não consigo mais. Sei que o futuro presidente será capaz de continuar a reconstrução", disse Mazón em um discurso de renúncia na sede do governo regional, dias após o funeral de Estado em Valência na quarta-feira, onde foi confrontado pelas famílias.
Mazón permanecerá como deputado nas Cortes valencianas e, como não haverá eleições por enquanto, espera-se que ele seja substituído por outro político de seu partido, o Partido Popular (PP, conservador), até as eleições de 2027.
"Assassino", "rato" e "não te queremos" foram alguns dos insultos dirigidos por familiares das vítimas a este advogado de formação, que desapareceu por seis horas no dia das enchentes por estar em um almoço com uma jornalista.
Durante esse período, seu governo levou mais de 12 horas para enviar uma mensagem de alerta aos cidadãos, o que, segundo eles, poderia ter salvado vidas se tivesse sido enviada mais cedo.
Mazón negou energicamente a acusação de que naquele dia, quando esteve ausente de suas funções como chefe de governo, tenha se dedicado a um encontro romântico com a jornalista com quem almoçou.
Segundo o que afirmou na ocasião, ele queria oferecer a ela um cargo na televisão pública valenciana, embora inicialmente tenha ocultado o almoço.
A jornalista, Maribel Vilaplana, deve depor nesta segunda-feira perante o juiz que investiga a tragédia.
O juiz, no entanto, não pode indiciar Mazón por ele gozar de imunidade parlamentar e porque deve ser investigado por um tribunal superior.
As enchentes do ano passado afetaram 78 municípios, principalmente na periferia sul da cidade de Valência, arrastando 130 mil veículos, danificando milhares de casas e gerando cerca de 800 mil toneladas de resíduos.
M.P.Jacobs--CPN