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Morre Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA, aos 100 anos
Jimmy Carter, o ex-presidente democrata que governou os Estados Unidos de 1977 a 1981 e ganhou o Nobel da Paz, morreu neste domingo (29) aos 100 anos de idade, em sua casa em Plains, na Geórgia, seu estado natal, anunciou sua fundação.
Ele morreu "pacificamente [...] rodeado por sua família", disse o Centro Carter em um comunicado.
"Meu pai foi um herói, não só para mim, mas para todos que acreditam na paz, nos direitos humanos e no amor altruísta", afirmou Chip Carter, filho do ex-presidente, no comunicado.
O presidente mais longevo da história dos Estados Unidos, que sobreviveu vários anos após ser diagnosticado com câncer cerebral em 2015, recebia cuidados paliativos em sua casa desde fevereiro de 2023.
Oficial naval e governador da Geórgia antes de ser presidente, Carter sempre defendeu os valores cristãos.
Na cidade de Plains, onde fica a fazenda de amendoins de sua infância, que ele administrou quando adulto, os vizinhos começaram a deixar flores em sua homenagem.
- Camp David e crise dos reféns -
Jimmy Carter foi eleito em 1976, em um Estados Unidos ainda marcado pelo escândalo de Watergate, que forçou Nixon a renunciar e levou Gerald Ford a assumir a presidência interina.
Carter esteve na Casa Branca por um único mandato. Foi o arquiteto dos Acordos de Camp David, que resultaram, em março de 1979, na assinatura do tratado de paz entre Israel e Egito.
O 39º presidente dos EUA foi amplamente criticado no país durante a crise dos reféns americanos no Irã.
O anúncio, em 24 de abril de 1980, de que uma missão militar para libertá-los havia falhado, dissipou suas esperanças de reeleição. O republicano Ronald Reagan venceu então nas urnas.
Mas Carter foi um incansável ex-presidente desde 1982, quando fundou o Centro Carter para promover o desenvolvimento, a saúde e a resolução de conflitos ao redor do mundo.
Visitou diversos países, como México, Peru, Nicarágua, Timor Leste e Venezuela, para realizar missões de mediação ou observação eleitoral.
Uma atividade intensa pela qual foi recompensado com o Prêmio Nobel da Paz em 2002.
- Deixando a vida pública -
Carter se envolveu profundamente na ONG Habitat for Humanity, a ponto de, aos 90 anos, ainda trabalhar em projetos de caridade, com sua esposa Rosalynn, a quem conheceu em 1945.
Em 2019, ele sofreu problemas de saúde que o levaram a ser hospitalizado diversas vezes. Nesse mesmo ano, se tornou o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a completar 95 anos.
No entanto, começou a se afastar da vida pública. Não compareceu à cerimônia de posse de Joe Biden em janeiro de 2021, evento que tradicionalmente conta com a participação dos ex-presidentes.
Meses depois, Carter recebeu Biden em Plains, onde morava desde que deixou Washington.
Em 1976, quando ainda era um jovem senador, Biden foi um dos primeiros congressistas democratas a apoiar Carter em sua corrida presidencial.
A esposa de Carter por 77 anos, Rosalynn, morreu em 19 de novembro de 2023, aos 96 anos. Juntos, tiveram três filhos e uma filha.
O frágil Carter compareceu ao funeral de sua esposa em uma cadeira de rodas.
Y.Ibrahim--CPN