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ONU insta empresas de IA a revelar sua pegada ambiental
A ONU exorta as empresas especializadas em inteligência artificial a publicar sua pegada ambiental devido às consequências esmagadoras para as redes elétricas, os recursos hídricos e os terrenos.
Em um relatório publicado nesta quarta-feira (3), as Nações Unidas pedem aos governos que exijam relatórios ambientais padronizados dos desenvolvedores de IA e convidam os usuários a priorizar outras ferramentas capazes de realizar as mesmas tarefas.
"O que mostramos aqui provavelmente é apenas a ponta do iceberg", declarou à AFP Kaveh Madani, diretor do Instituto Universitário das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde (UNU-INWEH).
"Devemos exigir mais transparência. Os fornecedores devem fornecer essas informações", acrescentou.
Segundo o relatório "Custo ambiental do consumo energético da IA: pegadas de carbono, água e terra", o mercado mundial de IA passará de 189 bilhões de dólares (R$ 948 bilhões) em 2023 para 4,8 trilhões de dólares (R$ 24,1 trilhões) até 2033.
Os centros de dados, estruturas de servidores que alimentam a IA e outros serviços digitais, consumiram 448 terawatts-hora (TWh) de eletricidade em 2025.
Se fossem um país, ocupariam o 11º lugar mundial em consumo, logo atrás da França (468 TWh), aponta o estudo.
Até 2030, provavelmente subirão para o sexto lugar, com consumo elétrico de aproximadamente 945 TWh. Gerariam, portanto, o equivalente a 399 milhões de toneladas de CO₂. Para comparação, em 2025 as emissões líquidas do Reino Unido chegaram a 367 milhões de toneladas.
- Consumo voraz de água -
O consumo de água dos centros de dados pode chegar a 9,3 trilhões de litros até 2030, o equivalente à necessidade anual de toda a população da África subsaariana, segundo o relatório.
Sua superfície total poderia representar mais de 18 vezes o tamanho de Nova York.
Só o ChatGPT poderia processar cerca de 2,5 bilhões de solicitações por dia, ou seja, cerca de 383 GWh de eletricidade por ano, o suficiente para cobrir o consumo anual de quase três milhões de pessoas na África subsaariana, aponta o relatório.
Os vídeos gerados por IA são os mais vorazes: um vídeo curto pode consumir tanta eletricidade quanto centenas de imagens.
O relatório também alerta para a desigualdade digital.
A maioria dos centros de dados especializados em IA está nos Estados Unidos, na China e na União Europeia, mas a maior parte do custo ambiental da mineração e do tratamento de resíduos recai sobre muitos países em desenvolvimento.
"Não é um relatório anti-IA", ressalta Kaveh Madani. "Estamos simplesmente dizendo que devemos monitorar seus impactos de forma proativa para poder mitigá-los, para poder controlá-los antes que seja tarde demais", acrescenta.
- A IA é necessária para uma receita? -
Os desenvolvedores de IA e os provedores de serviços deveriam "tornar visível o invisível", publicando dados sobre a pegada energética e ambiental do treinamento dos modelos e da geração de respostas para os usuários, ressalta a ONU.
O relatório também recomenda que os governos levem em conta a crescente demanda por IA e que os centros de dados fiquem longe de regiões com problemas hídricos.
Os usuários devem evitar o uso de IA para tarefas que podem ser realizadas com ferramentas convencionais, afirmam os autores do relatório.
Isso porque pesquisar na internet com IA pode consumir até dez vezes mais energia do que uma busca convencional.
"Você precisa do ChatGPT para encontrar uma receita?", questiona Miriam Aczel, pesquisadora da UNU-INWEH. Muitas mudanças simples de comportamento podem "reduzir a pegada ecológica", declarou à AFP.
A.Samuel--CPN