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EUA revisa para baixo crescimento do PIB no 1T; inflação sobe
A economia dos Estados Unidos cresceu menos que o estimado inicialmente no primeiro trimestre e a inflação alcançou seu nível mais alto em três anos, segundo dados do governo publicados nesta quinta-feira (28) em um contexto de forte impacto da guerra com o Irã.
Estes números são um sinal de alerta sobre as pressões que as famílias americanas enfrentam antes das eleições de meio de mandato, em novembro. O encarecimento da gasolina aperta o orçamento e faz desaparecer o impulso das devoluções de impostos anuais.
- PIB reduzido -
O Produto Interno Bruto (PIB) da maior economia do mundo aumentou 1,6% na projeção anual no primeiro trimestre (os juros em 12 meses mantidas as condições no momento da medição).
Os dados do Departamento de Comércio dão conta, assim, de um número abaixo da estimativa de 2% anunciada no mês passado.
Os analistas esperavam que os juros permanecessem inalterados, segundo o consenso da MarketWatch.
"O PIB real foi revisto para baixo em 0,4 ponto percentual em relação à estimativa preliminar, o que reflete principalmente revisões para baixo do investimento e dos gastos dos consumidores", resumiu o Departamento de Comércio.
A expansão do PIB, enquanto isso, se deve principalmente aos investimentos em equipamento e propriedade intelectual, gastos vinculados ao desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
Ao contrário, os investimentos no setor imobiliário recuaram fortemente.
Os analistas alertaram para a dependência da economia americana do setor da inteligência artificial (IA), enquanto o consumo se ressente do impacto da guerra nos preços da energia.
"Novos dados mostraram que os gastos em serviços, particularmente em serviços médicos, caiu, e que os inventários empresariais diminuíram mais que o estimado anteriormente", explicou o economista Michael Pearce, da Oxford Economics.
As revisões para baixo dos gastos dos consumidores no primeiro trimestre, juntamente com uma queda em abril, "apontam para um consumidor sob pressão", acrescentou.
Mesmo assim, o crescimento na projeção anual foi mais importante que no quarto trimestre de 2025, quando registrou um aumento de 0,5%.
A alta nos últimos meses de 2025 e no começo de 2026 se deve a "repiques do gasto público e das exportações, e um aumento do investimento" em geral.
- Alta dos preços -
Os preços não escapam do impacto da guerra contra o Irã.
O índice PCE, que mede os gastos de consumo pessoais, aumentou 3,8% com relação a abril do ano passado, contra 3,5% nos 12 meses encerrados em março.
O novo número está alinhado com as expectativas dos analistas entrevistados pelo Dow Jones Newswires e pelo The Wall Street Journal.
O informe do governo também faz um balanço dos gastos e da receita dos americanos.
Enquanto os gastos aumentaram 0,5% ao mês, a receita sofreu um recuo inesperado de 0,1%.
Isto influiu na taxa de poupança das famílias, que caiu para 2,6% frente a 3,2% em março.
"Isto mostra até que ponto os americanos estão atualmente sob pressão financeira", comentou no X Heather Long, economista do banco americano Navy Federal Credit Union, que considerou "insustentável" o fato de as entradas de dinheiro não seguirem o ritmo das despesas.
- O problema da gasolina -
Pearce prevê que os preços mais altos da energia provavelmente vão manter o crescimento do PIB "moderado este ano".
Os preços da gasolina em particular dispararam após os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Teerã bloqueou o Estreito de Ormuz, via marítima crucial por onde passa cerca de um quinto dos suprimentos mundiais de petróleo e gás, e isso pressionou os preços da energia fortemente para cima.
O encarecimento dos combustíveis fez os consumidores americanos gastarem mais 28,8 bilhões de dólares (R$ 145,4 bilhões) em gasolina e produtos derivados em abril que no mesmo mês do ano anterior, segundo dados oficiais.
O impacto é sentido em outros setores.
As vendas de residências nos Estados Unidos recuaram em abril a uma taxa anual dessazonalizada de 622 mil unidades, informou o Departamento de Comércio.
Este dado representa 6,2% a menos que o dado de março e 11,3% a menos que um ano atrás.
A.Leibowitz--CPN