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Papa Leão XIV pede perdão pela demora da Igreja em condenar a escravidão
O papa Leão XIV pediu desculpas pelo longo atraso da Igreja Católica em condenar a escravidão, que chamou de uma "ferida na memória cristã" em sua primeira encíclica, publicada nesta segunda-feira (25).
"Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão", escreveu Leão XIV no texto que define as posições da Igreja em diversas questões, entre elas a inteligência artificial (IA).
No passado, os papas já pediram desculpas pela participação dos cristãos no tráfico de escravizados.
João Paulo II denunciou a atividade em 1992, antes de apresentar, no ano 2000, um amplo pedido de perdão pelas injustiças históricas.
O papa Francisco também denunciou repetidamente as formas contemporâneas de escravidão.
No entanto, as palavras de Leão XIV foram além.
O papa americano destacou que a Igreja foi proprietária de escravizados até a Idade Média e que também assessorou soberanos europeus sobre como justificar a escravidão dos "infiéis".
"Foi necessário esperar até o século XIX para encontrar uma condenação formal, absoluta e universal da escravidão", escreveu em "Magnifica Humanitas" (Magnífica Humanidade), um documento que aborda principalmente a ascensão da IA.
A encíclica acrescenta: "É verdade que os acontecimentos do passado não podem ser julgados de forma anacrônica, como se todos os critérios morais que amadureceram ao longo do tempo sempre estivessem disponíveis".
"Ainda assim, também não podemos negar ou minimizar a demora com que tanto a sociedade quanto a Igreja passaram a denunciar o flagelo da escravidão".
"Isto constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar alheios", completou o pontífice.
Y.Ponomarenko--CPN