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BBC anuncia corte de até 2 mil funcionários
A BBC anunciou, nesta quarta-feira (15), que irá cortar entre 1.800 e 2.000 postos de trabalho nos próximos dois anos, o que equivale a cerca de 10% do seu quadro de funcionários, na maior onda de demissões do grupo audiovisual em 15 anos.
A emissora havia anunciado, em fevereiro, a intenção de reduzir seus custos em 10%, sem revelar o impacto disso na instituição britânica, que atravessa um período complicado após a demissão de seu diretor-geral e o processo por difamação movido por Donald Trump pela divulgação de uma montagem enganosa sobre o presidente americano.
"Precisamos economizar 500 milhões de libras [cerca de 3,2 bilhões de reais] adicionais de nossos custos operacionais anuais totais de 5 bilhões de libras [cerca de 32,4 bilhões de reais] nos próximos dois anos, com a maior parte destas novas economias previstas para 2027/28", anunciou a emissora em um comunicado.
"Inevitavelmente, estes planos também implicarão uma redução do número de empregos na BBC. Prevemos que o número total de postos de trabalho será reduzido entre 1.800 e 2.000", acrescentou o grupo.
Estes cortes de postos são anunciados pouco antes da chegada do novo diretor-geral da BBC, Matt Brittin, ex-executivo do Google, que assumirá as suas funções em 18 de maio.
A BBC anunciou, em 12 de fevereiro, que queria reduzir seus custos em 10% como resposta a "importantes pressões financeiras".
As dificuldades da renomada emissora britânica se agravaram porque menos pessoas optam por pagar a assinatura anual, obrigatória para todos os domicílios do Reino Unido que assistem a canais de televisão ao vivo.
"Como sabem, a BBC enfrenta grandes pressões financeiras, às quais devemos responder com rapidez. Em poucas palavras, a diferença entre nossos cortes e nossas receitas está aumentando", destacou a emissora nesta quarta-feira em seu comunicado.
"A inflação na produção continua muito alta, nossas receitas de concessões e comerciais estão sob pressão e a economia mundial continua instável", acrescentou.
- Assinaturas anuais -
A BBC depende, em grande parte, das assinaturas anuais, que atualmente são de 174,50 libras esterlinas (cerca de 1.200 reais).
A emissora arrecadou 3,8 bilhões de libras (cerca de 24,4 bilhões de reais) de mais de 23 milhões de assinaturas entre 2024 e 2025, mas 3,6 milhões de domicílios declararam não precisar delas, segundo um relatório recente de uma comissão parlamentar.
Durante o mesmo período, foram perdidas mais de 1,1 bilhão de libras (aproximadamente 7 bilhões de reais) em assinaturas.
A BBC também lida com as mudanças no consumo de mídia, como o streaming e os serviços sob demanda.
Os cortes ocorrem em um contexto de polêmicas por um caso vinculado ao presidente americano.
Trump acusa a BBC de ter divulgado uma montagem enganosa de um discurso seu de 6 de janeiro de 2021, no qual parece incitar explicitamente seus seguidores a atacar o Capitólio em Washington. Ele apresentou uma ação por difamação na Flórida e exigiu 10 bilhões de dólares (cerca de 50 bilhões de reais) da BBC.
Um juiz marcou a data do julgamento para fevereiro de 2027.
O caso provocou a demissão de seu diretor-geral, Tim Davie, e da chefe da BBC News, Deborah Turness.
A.Agostinelli--CPN