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Matt Brittin, ex-executivo do Google, é nomeado diretor-geral da BBC
Matt Brittin, ex-executivo do Google, foi nomeado novo diretor-geral da BBC, em substituição a Tim Davie, que renunciou em novembro após a exibição de um discurso manipulado de Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (25) a emissora britânica.
Brittin trabalhou por 18 anos no Google, incluindo uma década à frente da região Europa-Oriente Médio-África, antes de deixar o gigante tecnológico americano em 2024.
"O Conselho da BBC nomeou hoje Matt Brittin como o 18º diretor-geral da BBC. Matt, ex-presidente do Google para Europa, Oriente Médio e África (EMEA), assumirá o cargo em 18 de maio", informou a emissora em comunicado.
O presidente do conselho da BBC, Samir Shah, afirmou que o novo responsável pela rede, de 57 anos, "traz ampla experiência na liderança de uma organização de grande visibilidade e complexidade por meio de processos de transformação".
Brittin é atualmente membro não executivo do conselho do Guardian Media Group, empresa-matriz do jornal de centro-esquerda The Guardian.
O ex-executivo do Google assume a direção do grupo público britânico e de seus cerca de 21.000 funcionários em um momento difícil para o setor de mídia e produção audiovisual.
"Hoje, mais do que nunca, precisamos de uma BBC forte, que esteja a serviço de todos em um mundo complexo, incerto e em constante evolução", afirmou o novo diretor-geral.
- Controvérsia por discurso de Trump -
A polêmica de novembro de 2025, que levou à renúncia de Tim Davie e da diretora da BBC News, Deborah Turness, reacendeu o debate sobre o funcionamento do grupo público e sua imparcialidade, após diversas controvérsias e escândalos nos últimos anos.
O grupo exibiu, em um documentário antes das eleições americanas de 2024, trechos de um discurso de Donald Trump em 6 de janeiro de 2021, data da invasão do Capitólio por seus apoiadores para impedir a certificação da vitória de seu rival, o democrata Joe Biden.
Alguns trechos do discurso foram editados de forma que Trump parecia convocar explicitamente seus apoiadores a invadir o Capitólio, em Washington.
A BBC, cuja audiência e reputação ultrapassam amplamente as fronteiras do Reino Unido, teve que se desculpar com o presidente dos Estados Unidos e retirar o documentário das plataformas onde ainda estava disponível.
No entanto, Donald Trump decidiu levar o caso a um tribunal da Flórida, pedindo 10 bilhões de dólares (R$ 52,79 bilhões) por danos e prejuízos.
A BBC, por sua vez, solicitou a anulação do processo, alegando, entre outros pontos, que o documentário nunca foi exibido na Flórida nem nos Estados Unidos.
Brittin assume o cargo após a emissora anunciar em fevereiro que espera reduzir seus custos em 10% nos próximos três anos devido a "fortes pressões financeiras".
As dificuldades da BBC se agravaram com a queda no número de pessoas que pagam a taxa anual obrigatória para assistir televisão ao vivo no Reino Unido.
M.Mendoza--CPN