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Irã promete vingança após Israel matar outra autoridade
A cúpula do Irã sofreu um novo golpe nesta quarta-feira (18), com a morte do ministro da Inteligência em um bombardeio de Israel. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, alertou que os responsáveis vão pagar pelo sangue derramado, após uma série de assassinatos de autoridades.
Israel matou hoje o ministro da Inteligência Esmail Khatib, um dia após anunciar a morte do chefe do Conselho Superior de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani. Segundo o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, Khatib foi "eliminado" em um bombardeio noturno.
Katz anunciou que seu governo deu carta branca ao Exército para abater qualquer líder da república islâmica que esteja na mira. Já o regime iraniano advertiu que ninguém escapará das consequências da guerra, que tem forte impacto no setor energético do Irã e dos países do Golfo e que fez os preços do petróleo dispararem novamente.
O presidente americano, Donald Trump, está em uma queda-de-braço com aliados para que o ajudem em uma missão militar para reabrir o Estreito de Ormuz.
Mojtaba Khamenei, que não apareceu em público desde que assumiu o cargo, ressaltou que "cada gota de sangue derramada tem seu preço e os assassinos criminosos desses mártires terão que pagá-lo em breve".
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, alertou hoje que os ataques à infraestrutura energética poderiam ter "consequências incontroláveis", após o campo de gás South Pars-North Dome ser alvo de um ataque.
- Repercussão mundial -
Uma multidão se reuniu hoje no centro de Teerã para o funeral de Larijani e de Gholamerza Soleimani, líder de uma força paramilitar, no qual também foram homenageados os mais de 80 marinheiros da fragata afundada há duas semanas por um submarino dos Estados Unidos na costa do Sri Lanka.
Os caixões foram cobertos com bandeiras iranianas em uma procissão, enquanto pessoas enlutadas caminhavam ao lado, exibindo fotos do falecido Khamenei e batendo no próprio peito, um gesto tradicional de luto na cultura xiita.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou no X que "a onda de repercussões está apenas começando e atingirá todo o mundo, sem distinção de riqueza, crenças ou raça".
A Guarda Revolucionária reivindicou bombardeios que deixaram pelo menos dois mortos na região de Tel Aviv, nesta quarta-feira, e prometeu "vingar o sangue" dos dirigentes iranianos assassinados.
Tulsi Gabbard, diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, disse que o governo iraniano sofreu duros golpes e ficou fragilizado, embora siga "intacto".
- Nova escalada do petróleo -
O Irã bombardeia diariamente instalações de petróleo e gás no Golfo, o que fez os preços do petróleo superarem os US$ 100. Um ataque israelense-americano à jazida de South Pars-North Dome, maior reserva de gás do mundo, reforçou essa tendência, que causa preocupação devido às possíveis repercussões na economia mundial.
O presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, declarou que, diante dos bombardeios contra instalações de energia, "um novo nível de confronto se inicia".
Sobre o Estreito de Ormuz, o presidente americano afirmou hoje que seu país não precisa dele e disse que poderia "deixar que os países que o usam" encontrem uma solução para o bloqueio dessa via.
Para conter o aumento do preço da gasolina provocado pela guerra, Washington anunciou uma suspensão por 60 dias da Lei Jones, com o objetivo de permitir que navios com bandeira estrangeira possam transportar carga entre portos americanos. Também emitiu uma licença para autorizar algumas transações entre entidades americanas e a empresa de petróleo estatal da Venezuela.
- 'De partir o coração' -
Em outra frente da guerra, Israel voltou a bombardear Beirute, um ataque que deixou uma dúzia de mortos. Desde que o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah atacou Israel para vingar a morte de Khamenei, o Líbano registrou 968 mortos.
No centro de Beirute, o barulho dos bombardeios "foi assustador", disse Saleh, uma mulher de 29 anos, deslocada da periferia sul para a capital. As crianças "começaram a chorar e a entrar em pânico, é de partir o coração", lamentou. No sul, um congestionamento se estendeu pela costa das áreas bombardeadas.
Nidal Ahmad Chokr, 55 anos, fugiu ontem de sua casa em Jibchit, quando os bombardeios se intensificaram. "Padeiros morreram enquanto trabalhavam" na praça da cidade, e funcionários municipais "foram martirizados" enquanto operavam escavadeiras.
burx-dla/anb/jvb/an/lm/aa/mvv/am-lb
J.Bondarev--CPN