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Israel afirma que matou chefe do Conselho de Segurança do Irã
Israel anunciou nesta terça-feira (17) que "eliminou" Ali Larijani, figura crucial do governo iraniano há décadas e atual chefe do Conselho Supremo de Segurança, e um general de uma milícia vinculada à Guarda Revolucionária.
Ali Larijani, uma peça fundamental da República Islâmica e um de seus ideólogos, é o alvo de maior hierarquia atingido desde a morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, no início dos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos em 28 de fevereiro.
"O comandante do Estado-Maior acaba de me informar que Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e (o general Gholamreza) Soleimani, chefe dos Basij, o aparelho repressivo central do Irã, foram eliminados durante a noite", declarou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, em uma mensagem de vídeo.
O Irã não confirmou a informação até o momento.
Matemático e filósofo de formação, e veterano da guerra Irã-Iraque (1980-1988), Larijani foi ministro da Cultura, diretor da rádio e televisão pública, coordenador das negociações sobre o programa nuclear, presidente do Parlamento, candidato à presidência e, nos últimos anos, chefe do Conselho Supremo de Segurança.
Larijani e Soleimani "se uniram nas profundezas do inferno a (Ali) Khamenei", afirmou Katz.
Ali Larijani desempenhou um papel muito mais visível desde o início da guerra do que o filho e sucessor do líder supremo, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde os primeiros ataques em 28 de fevereiro.
O paradeiro e o estado de saúde do novo guia supremo, aparentemente ferido no ataque que matou seu pai, são objeto de especulações. "Não se sabe (...) se está morto ou não", disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Larijani foi um dos funcionários afetados por sanções dos Estados Unidos em janeiro pelo que Washington qualificou de "repressão violenta do povo iraniano", após os protestos em todo o país que começaram no fim de 2025.
Sua morte, se confirmada, seria um duro golpe contra a República Islâmica em meio a uma guerra na qual mais de 1.000 pessoas morreram e milhões foram deslocadas em todo o Oriente Médio, em particular no Líbano e no Irã.
- Bloqueio em Ormuz -
Em Teerã, um jornalista da AFP relatou explosões durante a manhã, após uma noite de bombardeios intensos.
O Exército israelense anunciou uma onda de ataques "contra a infraestrutura do regime terrorista iraniano em toda Teerã", assim como ataques no Líbano.
Em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, o Irã atacou interesses americanos, instalações de energia e infraestrutura civil nos países vizinhos.
As ameaças e ataques de Teerã a petroleiros que transitam pelo Estreito de Ormuz bloquearam a rota, por onde passa 20% do petróleo mundial, o que provocou a disparada dos preços.
Trump pediu ajuda às grandes potências para liberar a via e, na segunda-feira, exigiu que os países aliados se unam rapidamente e com "grande entusiasmo" a uma operação para escoltar os petroleiros pelo estreito.
Caso os países se recusem, isto seria "muito ruim" para a Otan, ameaçou o presidente americano.
No momento, a Aliança Atlântica descarta a possibilidade, assim como outros aliados, como a Coreia do Sul e o Japão.
Para os analistas, não surpreende que os aliados dos Estados Unidos não se mostrem entusiasmados com um envolvimento em uma guerra sobre a qual não foram consultados, depois de um ano de tensões com Washington em vários temas, das tarifas à Groenlândia.
Os Estados Unidos "iniciaram uma guerra sem consultar seus aliados, esperando que eles se encarregassem de consertar o desastre, e isso não vai funcionar", avaliou Erwan Lagadec, da Escola Elliott de Assuntos Internacionais da Universidade George Washington.
- "Ninguém esperava" -
Trump reconheceu na segunda-feira que "ninguém esperava" a dimensão da resposta iraniana. "Eles não deveriam ter atacado todos esses outros países do Oriente Médio", disse.
A República Islâmica atacou alvos no Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e, em menor medida, Omã.
O Líbano virou outra frente de batalha quando o movimento pró-iraniano Hezbollah atacou Israel para vingar a morte de Khamenei.
Canadá, França, Alemanha, Itália e Reino Unido pediram a Israel para demonstrar moderação neste país, onde o Exército israelense anunciou operações terrestres "limitadas" contra o Hezbollah.
Mas o presidente de Israel, Isaac Herzog, disse à AFP que a Europa deveria apoiar "qualquer esforço para erradicar o Hezbollah agora".
O Iraque, que há muito tempo é um campo de batalha indireto entre Estados Unidos e Irã, também foi envolvido no conflito.
Um ataque com drones e foguetes teve como alvo a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá nesta terça-feira e outro ataque matou quatro pessoas em uma casa que, aparentemente, abrigava conselheiros iranianos, segundo fontes das forças de segurança.
burx-roc/ms/mas-erl/dbh/fp-jc
A.Agostinelli--CPN