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EUA e Venezuela anunciam restabelecimento de relações diplomáticas
Estados Unidos e Venezuela informaram nesta quinta-feira (5) que vão restabelecer suas relações diplomáticas, como parte da nova era que se segue à derrubada de Nicolás Maduro em uma operação militar ordenada pelo presidente Donald Trump.
Maduro rompeu as relações em 2019, depois que Washington não reconheceu sua primeira reeleição no ano anterior e apoiou um fracassado projeto de governo paralelo de oposição, liderado pelo então presidente do Parlamento, Juan Guaidó.
Com a queda do governante em 3 de janeiro, sua vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder e alinhou o governo aos interesses de Trump: cedeu a ele o controle do petróleo e reformou a lei petrolífera para abrir o setor ao capital privado. O republicano tem elogiado seu trabalho.
Rodríguez recebeu em menos de um mês dois integrantes do gabinete. O secretário do Interior, Doug Burgum, encerrou nesta quinta uma visita de dois dias, após a do secretário de Energia, Chris Wright, em 11 de fevereiro.
Burgum qualificou como “fantasticamente positivo” o balanço de sua visita, que precedeu o comunicado do Departamento de Estado.
"Os Estados Unidos e as autoridades interinas da Venezuela concordaram em restabelecer as relações diplomáticas e consulares. Esse passo facilitará nossos esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar na reconciliação política na Venezuela", diz o texto.
"Nosso compromisso está orientado a ajudar o povo venezuelano a avançar por meio de um processo por etapas que crie as condições para uma transição pacífica rumo a um governo eleito democraticamente", acrescentou.
Os Estados Unidos também não reconheceram a segunda reeleição de Maduro em 2024, alvo de denúncias de fraude por parte da oposição.
Em nota, a chancelaria venezuelana indicou que apostava em “uma nova etapa” na relação bilateral “baseada no respeito mútuo”.
“Esse processo contribuirá para fortalecer o entendimento e abrir oportunidades para uma relação positiva e de benefício compartilhado”, indicou o texto.
A embaixada americana opera em Caracas há um mês, depois de anos fechada. Os assuntos sobre a Venezuela eram tratados em Bogotá.
- 'Garantias' -
A viagem de Burgum se concentrou nos temas de energia e mineração. O secretário é ainda responsável pelo Conselho de Domínio Energético dos Estados Unidos.
A Venezuela é um país rico em minerais como ouro, diamante, bauxita e coltã. A atividade está concentrada em um território de 112.000 km² batizado de Arco Mineiro, com alta presença de grupos criminosos e guerrilheiros.
Ambientalistas denunciam ainda a expansão da mineração ilegal, cujos estragos se refletem na contaminação de rios e no desmatamento de florestas.
Burgum disse que recebeu “garantias” de segurança por parte do governo para qualquer empresa que opere na região.
Rodríguez também promove uma reforma da lei de mineração em linha com a nova lei de hidrocarbonetos, que reduz o controle estatal sobre a indústria, cuja nacionalização em 1976 foi aprofundada por Hugo Chávez, o presidente falecido há 13 anos.
“Houve mais mudanças positivas para o povo da Venezuela nos últimos dois meses do que talvez nos últimos 20 anos”, afirmou Burgum.
Mais cedo, ele acompanhou Rodríguez na assinatura de acordos entre a estatal venezuelana PDVSA e a britânica Shell, os primeiros anunciados publicamente sob o amparo da nova lei.
“Os passos que estamos dando demonstram a boa vontade de construir essa agenda de cooperação na área energética e de mineração e que permita estreitar as relações entre nossos dois países”, disse a presidente no ato transmitido pela TV estatal.
O petróleo e o ouro da Venezuela estão sob embargo americano desde 2019. As multinacionais que operam no país recebem uma autorização especial em Washington.
“Quaisquer que sejam as metas estabelecidas para 2026 quanto à produção de petróleo e gás, estou certo de que a Venezuela vai superá-las”, disse o secretário a jornalistas, no aeroporto que serve Caracas, antes de partir.
A Venezuela, que tem as maiores reservas de petróleo do mundo, busca aumentar sua produção em 2026. Produziu 1,2 milhão de barris por dia (bpd) em 2025, menos da metade de seu pico de 3 milhões bpd no início do século.
T.Morelli--CPN