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Trump exige ter voz na escolha do próximo líder do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu, nesta quinta-feira (5), ter voz na escolha do próximo líder supremo do Irã, enquanto a guerra no Oriente Médio, que já completa seis dias, se estende para além da região.
Estados Unidos e Israel iniciaram, no último sábado, uma ofensiva em larga escala contra o Irã, ao qual acusam de querer desenvolver armas atômicas e de preparar um ataque.
A república islâmica respondeu com rajadas de drones e mísseis contra Israel e contra alvos americanos e de seus aliados no Golfo, depois que os bombardeios mataram o líder supremo, Ali Khamenei.
Israel anunciou que a guerra em curso com o Irã entra em uma nova fase. "Ainda temos outras surpresas reservadas", advertiu o chefe do Estado-Maior de Israel, o tenente-general Eyal Zamir.
A guerra continuava nesta quinta-feira, com bombardeios israelenses sobre Teerã, represálias do Irã em vários países e um clima de pânico no Líbano, onde Israel emitiu um alerta de evacuação sem precedentes em um reduto do Hezbollah ao sul de Beirute.
O conflito também causou transtornos no transporte marítimo e provocou uma escalada nos preços do petróleo.
Trump insistiu que ele deveria ter um papel na escolha do próximo líder supremo do Irã e afirmou que o filho de Khamenei, considerado candidato a sucedê-lo, não é aceitável.
Seus comentários implicam uma disposição para trabalhar com alguém de dentro da república islâmica em vez de buscar derrubar o governo, que tem sido um inimigo declarado dos Estados Unidos desde que a revolução islâmica de 1979 derrubou o xá pró-ocidental.
– "É uma humilhação" –
O impacto da guerra chegou à costa do Sri Lanka, onde um submarino americano torpedeou na quarta-feira um navio de guerra iraniano, e ao Azerbaijão, que ameaçou retaliar depois que um drone atingiu um aeroporto.
O Exército iraniano negou ter disparado drones contra esse país do Cáucaso e acusou Israel.
Israel ordenou nesta quinta-feira a evacuação de todos os subúrbios do sul de Beirute, bastião do Hezbollah, desencadeando uma fuga em massa de moradores.
O movimento islamista libanês aliado do Irã entrou no conflito na segunda-feira, quando lançou ataques contra Israel para vingar a morte de Khamenei. Israel respondeu com bombardeios e suas tropas entraram em várias localidades fronteiriças do Líbano na quarta-feira.
"Fugimos dos subúrbios, é uma humilhação, vamos dormir na rua [...] Não levamos nada", declarou à AFP um homem que não quis ser identificado.
As autoridades libanesas contabilizaram ao menos 102 mortos, 638 feridos e pelo menos 90 mil deslocados desde segunda-feira.
– Trump, a favor de uma ofensiva curda –
Em outro sinal da disseminação do conflito armado, o Irã informou ter atacado grupos curdos baseados no Iraque, e disse ter lançado um ataque com drones contra uma base americana em Erbil, capital do Curdistão iraquiano.
Trump afirmou que apoiaria uma ofensiva de forças curdas no Irã em apoio à guerra que os Estados Unidos e Israel travam contra a república islâmica.
"É ótimo que queiram fazer isso, eu seria totalmente a favor”, apontou em entrevista à agência Reuters. No entanto, o presidente se recusou a dizer se seu país forneceria apoio aéreo a combatentes curdos.
A lista de países que participam do conflito, ainda que indiretamente, também cresce.
A Austrália enviou dois aviões militares para a região, a Espanha anunciou o deslocamento de uma fragata para o Chipre e a Itália decidiu enviar elementos de defesa aérea aos países do Golfo.
– Irã não pede "cessar-fogo" –
No Irã, os bombardeios não param. Segundo a agência oficial Irna, já deixaram 1.230 mortos, um balanço que a AFP não pôde verificar.
Apesar de tudo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã não pede um “cessar-fogo” com os Estados Unidos.
"Não vemos nenhum motivo pelo qual devamos negociar com os Estados Unidos", declarou à NBC News.
Alguns iranianos que permaneceram na capital estão com medo, mas esperam ver a queda do regime dos aiatolás, que em dezembro reprimiu de maneira extremamente violenta as manifestações antigovernamentais.
"É assustador, mas deixar que estas pessoas controlem o governo é mais assustador do que mil aviões armados voando na direção da sua cidade", disse à AFP um morador de Teerã de 30 anos, que pediu anonimato.
O país ficou isolado do resto do mundo, com a internet funcionando em apenas 1% de sua capacidade, segundo o site Netblocks. Telefonar é quase impossível.
A televisão estatal iraniana afirmou que drones lançados pela Guarda Revolucionária iraniana atingiram o porta-aviões americano Abraham Lincoln, que está no Oriente Médio desde o fim de janeiro.
Nem mesmo as ricas monarquias do Golfo, que costumam ser consideradas um refúgio seguro na região, foram poupadas do conflito. O Irã continuava atacando suas cidades e infraestruturas energéticas.
A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, advertiu que a guerra poderia dar lugar a um “período prolongado de instabilidade”.
burs-myl/vla/arm-erl/fp/yr/mvv/ic
P.Schmidt--CPN