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Executivo afirma que YouTube nao buscar criar vício, e sim 'gerar valor'
Um julgamento histórico sobre vício em redes sociais foi retomado nesta segunda-feira, com o depoimento de um executivo do YouTube, segundo o qual o objetivo da plataforma não é viciar o usuário em um consumo compulsivo de vídeos, em sim gerar valor.
Christos Goodrow, vice-presidente de Engenharia do YouTube, afirmou em um tribunal civil de Los Angeles que a plataforma "não foi desenhada para maximizar o tempo" gasto assistindo a vídeos, e sim "para gerar o maior valor possível".
O julgamento é o primeiro de uma série de ações movidas por famílias americanas contra plataformas de redes sociais, e vai determinar se o Google (dono do YouTube) e a Meta (Facebook, Instagram, entre outros) desenharam suas plataformas para promover um uso compulsivo entre jovens.
No último dia 18, o diretor-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, depôs na mesma corte. Assim como nessa ocasião, o advogado da parte demandante, Mark Lanier, disse aos jurados que a remuneração do executivo do YouTube aumentava juntamente com o preço da ação da empresa, motivo pelo qual ele se beneficiava pessoalmente de uma participação maior dos usuários.
O advogado fez com que Goodrow detalhasse a adição de recursos como a reprodução automática de vídeos e anúncios, e uma versão do YouTube para crianças. Segundo Lanier, esses esforços induziam o usuário a uma verificação contínua em busca de novo conteúdo.
O advogado também citou documentos internos do YouTube que mencionavam pesquisas externas que constataram efeitos nocivos do excesso de tempo gasto assistindo a vídeos.
O julgamento deve se prolongar até o fim de março, quando o júri vai decidir se Meta e YouTube são responsáveis pelos problemas de saúde mental de Kaley G. M., 20, moradora do estado da Califórnia e usuária frequente de redes sociais desde a infância.
Espera-se que o caso crie um precedente para a resolução de milhares de processos que responsabilizam as redes sociais por alimentar uma epidemia de depressão, ansiedade, transtornos alimentares e suicídio. TikTok e Snapchat, citados no caso, fecharam acordos com a parte demandante antes do julgamento.
D.Avraham--CPN