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Culpa de um cartel ou do Pentágono? Fechamento de aeroporto causa confusão nos EUA
O governo de Donald Trump garantiu que a incursão pela fronteira de um drone de um cartel mexicano obrigou o fechamento temporário de um aeroporto no Texas, mas legisladores e reportagens da imprensa sugerem que a razão foi o uso inadvertido de um laser antidrones por parte do Pentágono.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) informou na noite de terça-feira que o espaço aéreo sobre a cidade de El Paso, na fronteira sul dos Estados Unidos com o México, ficaria fechado por dez dias, por "razões de segurança", mas suspendeu a restrição poucas horas depois do anúncio.
A FAA e o Pentágono "reagiram rapidamente para enfrentar uma incursão de drones pertencentes a um cartel", publicou no X o secretário de Transportes, Sean Duffy. "A ameaça foi neutralizada e não existe qualquer perigo para o tráfego comercial na região", acrescentou.
Mas a legisladora democrata Verónica Escobar, cujo distrito eleitoral inclui El Paso, questionou as explicações oficiais, e disse que essa não foi a versão que receberam no Congresso.
- Um laser? -
Mais tarde, surgiram informações nos meios de comunicação locais sobre a realização de testes do governo federal com tecnologia antidrones em uma base aérea vizinha ao Aeroporto Internacional de El Paso, o que teria motivado a decisão de fechar toda a área a todos os voos civis.
Citando fontes governamentais, a emissora CBS informou que a FAA fechou o espaço aéreo em meio a uma disputa sobre se era seguro testar essa tecnologia tão perto do aeroporto.
A Rádio Pública Nacional (NPR, na sigla em inglês) reportou que o Departamento de Defesa implantou a tecnologia antes que a FAA pudesse concluir uma avaliação de segurança, o que provocou o fechamento repentino.
O jornal The Wall Street Journal, que junto com as emissoras CBS e CNN informaram que o dispositivo é um tipo de laser, indicou que o Pentágono utilizou recentemente a tecnologia para derrubar o que se pensava que era um drone na área. No entanto, era um balão de festa, disseram fontes à publicação.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que não tinha informações sobre o uso de drones na fronteira, e reiterou que há uma "comunicação constante" entre os dois governos.
A legislação atual permite que as forças armadas atuem "de maneira imprudente no espaço aéreo público", disseram os congressistas Rick Larsen e André Carson, sem dar mais detalhes.
- Algo 'não coincide' -
"A informação procedente do governo não coincide com a que pude apurar durante a noite e na manhã de hoje", disse Veronica Escobar aos jornalistas.
Outros opositores, membros do comitê de Transportes da Câmara dos Representantes, sugeriram que o Pentágono pode ter sido responsável pela situação.
O Pentágono encaminhou as perguntas sobre o fechamento à FAA, que, ao anunciar a medida, declarou que "nenhum piloto poderá operar uma aeronave nas áreas" abrangidas pelas restrições e alertou para o potencial uso de "força letal".
O governo Trump insiste em que está em guerra contra os "narcoterroristas", efetuando ataques letais contra supostos traficantes no Caribe e no Pacífico Oriental, enquanto o presidente americano disse em diversas ocasiões que planeja ampliar esses ataques ao território continental.
Sheinbaum se opõe à intervenção militar americana em seu país e, até agora, conseguiu manter um delicado equilíbrio diplomático com Trump.
Ela intensificou a extradição de líderes de cartéis aos Estados Unidos e reforçou a cooperação fronteiriça em meio a ameaças tarifárias por parte de Trump, para quem deter a imigração irregular a partir do México foi uma promessa-chave de campanha.
- 'Decisão desnecessária' -
Todas as companhias aéreas tiveram que suspender seus voos com chegada ou partida em El Paso, localizada na fronteira com a mexicana Ciudad Juárez.
O aeroporto de El Paso recebeu 3,49 milhões de passageiros durante os 11 primeiros meses de 2025.
Em 16 de janeiro, a FAA alertou para a "atividade militar" no espaço aéreo de certas regiões, especialmente perto do México e de países da América Central e do Sul, e pediu que se redobrasse a precaução. O alerta abrangia um período de 60 dias.
M.P.Jacobs--CPN