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Equador anuncia tarifa de 30% à Colômbia por falta de cooperação em segurança
O presidente do Equador, Daniel Noboa, anunciou nesta quarta-feira (21) que vai impor uma tarifa de 30% sobre as importações da Colômbia, diante do que considera uma falta de apoio na luta contra a violência do narcotráfico na fronteira.
Os dois países compartilham uma fronteira de 600 km que se estende do Pacífico até a floresta amazônica, onde a guerrilha colombiana e organizações atuam no tráfico de drogas e armas, além do garimpo ilegal.
"Nossos militares seguem enfrentando grupos criminosos ligados ao narcotráfico na fronteira sem qualquer cooperação", escreveu no X Noboa, que participa do Fórum Econômico Mundial, em Davos.
A tarifa entrará em vigor no mês que vem e representa uma resposta do Equador "diante da falta de reciprocidade e ações firmes" do governo do esquerdista Gustavo Petro contra o crime, acrescentou Noboa.
O presidente equatoriano, que em 2024 declarou guerra ao narcotráfico, ressaltou que a medida "será mantida até que exista um compromisso real para enfrentarmos juntos o narcotráfico e o garimpo ilegal na fronteira".
A Colômbia não informou se tomará medidas recíprocas. "Colômbia e Equador mantêm uma cooperação estreita e histórica no combate ao narcotráfico, cujos resultados são fortalecidos pela articulação permanente", publicou no X o ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez.
"Não estamos na mesma página" na luta contra o narcotráfico, declarou Noboa ao jornal colombiano El Tiempo, em Davos.
- Um assassinato por hora -
Segundo Noboa, o Equador têm "um déficit comercial com a Colômbia que supera US$ 1 bilhão anual (R$ 5,3 bilhões)". Os colombianos exportam para o Equador principalmente energia elétrica, medicamentos, veículos, cosméticos e plásticos, segundo a Associação Nacional de Comércio Exterior da Colômbia (Analdex).
A Colômbia é o principal parceiro comercial do Equador na Comunidade Andina, que também inclui a Bolívia e o Peru. Em 2024, as exportações equatorianas para a Colômbia totalizaram aproximadamente US$ 850 milhões (R$ 4,53 bilhões), enquanto as importações atingiram US$ 2,11 bilhões (R$ 11,25 bilhões), segundo o Banco Central do Equador.
No poder desde novembro de 2023, Noboa declarou guerra a mais de 20 grupos criminosos que, em sua luta sangrenta pelo poder, transformaram o Equador no país mais violento da região, com 52 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2025, o que equivale a um por hora, segundo o Observatório Equatoriano de Crime Organizado.
O Equador está localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína. Circulam pelo seu território 70% dessa droga com destino a mercados de Estados Unidos, Europa e Oceania.
- Fronteira porosa -
O ministro equatoriano do Interior, John Reimberg, insistiu em que as autoridades colombianas "não estão tomando as medidas corretas para impedir o cultivo, o processamento e o envio" de drogas para o Equador.
"Sabemos que foi dada ordem às autoridades militares da Colômbia para recuarem da fronteira em aproximadamente 50 quilômetros", afirmou o ministro, em Quito.
O governo equatoriano manteve aberto no mês passado apenas um posto de fronteira com a Colômbia (Rumichaca) e outro com o Peru (Huaquillas), por "razões de segurança nacional".
As fronteiras do Equador, com seus rios e áreas de selva, são permeáveis e possuem inúmeras passagens ilegais utilizadas para o contrabando.
A.Leibowitz--CPN