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Um século após sua criação, TV inova para competir com dispositivos móveis
Um século após a invenção da televisão, esta indústria lança novidades no Consumer Electronics Show (CES), uma grande feira de tecnologia em Las Vegas, na qual tenta competir com produtos mais recentes, como smartphones e computadores.
Em 26 de janeiro de 1926, o escocês John Logie Baird fazia, em Londres, uma demonstração de sua TV, na qual via-se o rosto deformado, mas reconhecível, de um homem que estava no quarto ao lado.
Desde então, milhões de aparelhos foram vendidos no mundo, dos quais 230 milhões em 2024, segundo a empresa Counterpoint Research.
Por outro lado, a proporção de visualizações diárias em televisores diminuiu 61% no início de 2017 para 48% no final de 2024, segundo a consultoria de mercado Ampere Analysis. Enquanto isso, a visualização em celulares quase dobrou no mesmo período, até 21%.
"É uma batalha entre as grandes telas, que tradicionalmente são para pessoas mais velhas, que cresceram com televisores, e os jovens, que consomem conteúdos em smartphones, tablets ou em um laptop", diz Patrick Horner, chefe de estudos sobre a TV na Omdia.
Segundo o especialista, tanto o número de proprietários de aparelhos de TV quanto os preços de venda se mantêm estáveis ou estão em queda, dependendo da região do mundo.
Os fabricantes tentam compensar essa situação vendendo aparelhos de TV mais caros, com telas enormes, imagens mais nítidas e com inteligência artificial (IA) generativa integrada, como os modelos exibidos esta semana em Las Vegas na CES.
- Uma TV mais personalizada -
Mais uma vez, essas telas enormes brilham na CES, com os fabricantes promovendo a IA para personalizar a experiência do usuário e melhorar a nitidez da imagem.
Também chama a atenção a tecnologia Micro RGB, que melhora a qualidade da imagem graças a um controle ultrapreciso das cores em telas de LED.
A Samsung Electronics, líder na venda de aparelhos de TV durante duas décadas consecutivas, lançou o que chamou de primeira televisão de 130 polegadas (3,30 metros de diagonal) com Micro RGB e prometeu incorporar a IA em seus produtos.
"Vamos integrar a IA em todas as áreas, em cada produto e em cada serviço", disse o chefe da divisão de dispositivos eletrônicos da Samsung, TM Roh, durante um evento para a imprensa.
Hisense, LG, Samsung, Sony e TCL também participam da CES.
A IA é usada para melhorar a imagem e a qualidade do som, assim como para ajudar os usuários a encontrarem os programas que quiserem ou perguntar o que estão assistindo.
"Tenho muita curiosidade de ver se a maioria das marcas na CES consegue provar de verdade que seus dispositivos com IA estão à altura de suas promessas", afirma Thomas Husson, analista principal da Forrester.
- Amazon versus Walmart -
Nos bastidores, as gigantes do varejo Amazon e Walmart disputam o controle, não da venda de televisores, mas da publicidade e do comércio eletrônico através destes aparelhos.
"Esta é realmente uma disputa mortal entre Amazon.com e Walmart", explica Horner à AFP.
No fim de 2024, o Walmart fechou um acordo de 2,3 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 14 bilhões, na cotação da época) para comprar a fabricante de televisores Vizio como resposta estratégica ao impulso nas vendas da Amazon através da publicidade em seus televisores e dispositivos inteligentes Fire, principalmente através de seu serviço de streaming Prime Video.
"A Amazon estava colocando anúncios na programação da televisão de produtos vendidos pela Amazon", explica Horner. "Agora, o Walmart vai colocar publicidade na sua televisão de coisas que o Walmart vende".
A receita com a venda de publicidade supera com folga a gerada com a venda do aparelho de TV em si.
"As televisões não tentam mais obter lucro com o aparelho", diz Horner. "São dispositivos de entrega de anúncios que estão sendo inseridos na sua sala de estar para impulsionar as vendas do comércio eletrônico".
X.Wong--CPN