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Trump critica 'jogo sujo' do Canadá apesar de retirada de anúncio publicitário com Reagan
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Canadá por seu "jogo sujo", apesar da retirada de uma campanha publicitária televisiva contra o aumento das tarifas que levou o mandatário americano a romper as negociações comerciais com o país vizinho.
A província canadense de Ontário afirmou que deixaria de exibir, na segunda-feira, o polêmico anúncio depois que Trump alegou que a ação distorcia as opiniões sobre as tarifas do ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan (1981-1989), um republicano como ele.
Mas o magnata não mostrou sinais de voltar atrás e questionou Ontário por ter permitido que a campanha fosse ao ar durante os dois primeiros jogos do campeonato americano de beisebol neste fim de semana.
"O Canadá foi pego trapaceando com um comercial, podem acreditar?" disse Trump aos jornalistas antes de partir para uma viagem pela Ásia.
"E ouvi dizer que eles iam retirar o anúncio — não sabia que estavam exibindo um pouco mais. Poderiam tê-lo retirado esta noite", acrescentou.
Depois que um jornalista disse que o material seria retirado na segunda-feira, o presidente respondeu: "Isso é jogar sujo". "Mas eu posso jogar mais sujo que eles", ameaçou, enfatizando que não tinha intenção de se reunir ou falar com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, após este episódio.
Um alto funcionário americano havia dito que provavelmente Trump se encontraria com Carney na próxima quarta-feira em um jantar à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) na Coreia do Sul.
A ruptura das negociações comerciais constitui uma reviravolta repentina do presidente americano no momento em que um acordo comercial entre Ottawa e Washington sobre aço, alumínio e energia parecia possível, segundo o jornal canadense Globe and Mail.
- "Estamos prontos" -
O Canadá é o segundo maior parceiro comercial dos EUA, mas o retorno de Trump ao poder em janeiro perturbou as relações entre os dois países.
As tarifas setoriais do mandatário republicano, em particular sobre o aço, alumínio e automóveis, afetaram consideravelmente o Canadá.
Em declarações antes de sua viagem à Ásia na sexta-feira, Carney não mencionou diretamente a mudança de postura de Trump, mas afirmou que as negociações bilaterais mostraram progresso.
"Estamos prontos para retomar esse progresso quando os americanos estiverem prontos", acrescentou.
Os dois países integram, junto com o México, o T-MEC, o tratado comercial tripartite, que garante que quase 85% do comércio transfronteiriço permaneça livre de tarifas.
Os três países negociam a renovação de sua aliança comercial.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou na sexta-feira que seu país está "muito adiantado" nas negociações com Washington.
Além disso, disse que seu secretário de Economia, Marcelo Ebrard, irá na próxima semana à Coreia do Sul, onde espera manter reuniões com funcionários da administração republicana.
- 75 milhões -
Segundo Trump, as autoridades canadenses buscam "interferir na decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos e de outros tribunais", perante os quais se questiona a legalidade dos decretos do presidente dos EUA que desencadearam os aumentos tarifários.
Produzida pela província de Ontário, a campanha publicitária foi exibida em vários canais americanos por um valor de aproximadamente US$ 75 milhões (R$ 403,3 milhões, na cotação atual).
O anúncio utiliza trechos de um discurso de Reagan de 1987, no qual ele alertava sobre algumas consequências das tarifas elevadas na economia dos Estados Unidos.
A Fundação Ronald Reagan escreveu na rede social X que a campanha "deturpa" as palavras do ex-mandatário, que teriam sido utilizadas de forma "seletiva". Adicionou, ainda, que estava "revisando suas opções legais".
Em um discurso na quarta-feira sobre suas prioridades orçamentárias, Carney declarou que a política comercial "fundamentalmente modificada" de Washington exigia uma revisão da estratégia econômica de Ottawa.
O premiê se reuniu com Trump no início de outubro na Casa Branca para tentar avançar em uma resolução da disputa comercial, mas não obteve nenhuma concessão pública.
A.Leibowitz--CPN